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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Suspiro ao vê-lo passar


Suspiro ao vê-lo passar,
O Tempo que vai
E não mais volta.
Revolto-me
Com a sua constância
Indiferente,
O seu lento tardar,
E a ânsia de devorar
O Futuro.
*

I sigh as I see it pass,
The Time that goes
And never comes back.
I rebel
Against its indifferent
Constancy,
Its slow lingering,
And the eagerness of devouring
The Future.

Hurad Duruvan

Sei não ser quem sou


Sei não ser quem sou,
Sendo a verdade
Que ludibria a mentira
E rouba ao engano
A fracção d’ilusão
Que lhe inspira vida.

*

I know not to be who I am,
Being the truth 
That deceives the lie 
And steals from deception 
The fraction of illusion 
That inspires its life.

Hurad Duruvan

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Diviso o sorriso da Morte


Diviso o sorriso da Morte
No olhar do mundo.
É terno, como o de uma mãe
Que observa cada trémulo passo
De sua cria.

*

I see the smile of Death
In the world's eyes.
It is tender, like that of a mother
Who watches every trembling step
Of her child.

Hurad Duruvan

sábado, 11 de maio de 2019

Perdida


Perdida,
A inocência jaz esquecida
Nas mãos do mundo.

Encontra-a.

*

Lost,
Innocence lies forgotten
In the hands of the world.

Find it.

Hurad Duruvan

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Dar-te-ia a eternidade


Dar-te-ia a eternidade 
Pintada a ouro, 
Fosse ela liberdade 
E ancoradouro. 
Porém é somente prisão 
De quem vagueia 
Sem intento ou coração. 


I would give you eternity 
Painted in gold, 
If freedom and berth 
It were. 
But it is only the prison 
Of those who wander 
Without intent or heart.

Hurad Duruvan

quarta-feira, 24 de abril de 2019

A verdade quebra e toma a vida


A verdade quebra e toma a vida
Dos que criam os seus mundos de vidro
Com afiados fragmentos de mentira.

*

Truth breaks and takes the lives
Of those who create their glass worlds
With sharp fragments of lies.

Hurad Duruvan

terça-feira, 16 de abril de 2019

Vendi a alma aos deuses


Vendi a alma aos deuses
Que não o são.
Troquei-a pelo vazio de ser
E pela continuidade de viver
Sem coração.

*

I sold my soul to gods
Who are no more.
I exchanged it for the emptiness of being
And for the continuity of living
Without a heart.

Hurad Duruvan

quarta-feira, 6 de março de 2019

Quando a Utopia adormece


Quando a Utopia adormece,
Sonha contigo
A ampará-la em teus braços.
Susténs-lhe o suspiro
Dos cansaços
E as lágrimas de desilusão,
E cantas-lhe esperança,
Enquanto pousas o Mundo
Na sua mão.


When Utopia falls asleep,
It dreams of you,
Holding it in your arms.
You sustain
Its sigh of weariness
And disillusion tears,
And sing it hope,
As you lay the World
On its hand.

Hurad Duruvan

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Há melancolia na voz do vento


Há melancolia na voz do vento;
Porém sorrio, de rosto erguido,
Ao engano de ser feliz.

*

In the voice of the wind there is melancholy;
But I smile, with my face upright,
To the deception of being happy.

Hurad Duruvan

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Por vezes perco-me


Por vezes perco-me,
Nos meandros de pensar que sou
Quem não sou;
Perco-me na nostalgia
De quem fui em tempos,
Sem o ser;
E pergunto-me se serei eu,
Ou outro alguém,
No nascer do amanhã.

*


Sometimes I lose myself
In the meanders of thinking that I am
Who I am not;
I lose myself in nostalgia
Of who I once was,
Without being it;
And I wonder if I will be me,
Or somebody else,
When tomorrow dawns.


Hurad Duruvan

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Há quem se habitue a viver


Há quem se habitue a viver, 
E viva porque sim.
Mesmo quando a vida não o quer,
É incapaz de a deixar partir,
Prendendo-a ao querer,
Sem saber
Que não deve existir.

*

Some people get used to living,
And live because they do.
Even when life does not want it,
They are unable to let it go,
Imprisoning it to their desire,
Unknowing
That it must not exist.

Hurad Duruvan

terça-feira, 24 de julho de 2018

O sol nasceu álgido



O sol nasceu álgido.
São dedos defuntos
O seu raiar,
E o seu toque é o do morto
Que quer viver
Sem vivo estar.

*

The sun rose algid.
Its light is lifeless fingers,
And the touch is that of the dead
Who wants to live
Without being alive.


Hurad Duruvan