
Nos altos vagos da maresia,
Cantastes teu canto.
Mar a dentro, mar de pranto,
Lágrimas escorridas ao largo,
Bater constante de fulgor pardo,
Em rochedos de consciência fria.
É essa Muralha que se ergue além,
Infinita de fim.
Essa Muralha que te prende a mim,
Laços constritos de lendas,
Fogos-fátuos em que atentas,
Vazio o teu canto de ninguém.
Que não tombam as torres,
Não afogas ameias.
Não afrontas mitos nem teias
De sonhos, estrelas caídas da lembrança.
Não destronas, não amansas,
Dita a dinastia dos defensores.
Que o canto teu não alcança
Escutares dos céus.
No alto da Muralha são os meus
Falares que ditam, Sereia.
Que o teu canto só enleia
Os abandonos da esperança.
No entanto, nada és sem mim,
Ó doce donzela.
Nada és sem a chama da vela
Que encandeia os cegos defuntos
E os atira da muralha para teus profundos
Cantos insanos sem confim.