A chuva devora o mundo mudo,
De mil maneiras tingidas sem cor.
A Terra devora o rio de chuva surdo,
E seca do mundo o tacto da dor.
Insensível é ele, então.
Sem sorrisos, sem gritos,
Sem coração.
E quem o vê com peito
É cego de defeito.
Que o mundo perdeu o Sentir.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Sem título
Como uma ave que canta
Ária de sentimento e sabedoria,
Tisnaste no papel de seda
Istmo, promontório e vereda
Acesa no sonho que alumia.
Singraste e calcorreaste
Olvidada montanha e campina.
Finda a viajem em porto seguro,
Içaste velas e saltaste o muro:
Azul é o céu que se te destina.
Abres, então, asas e foges
Levada na brisa de semente.
Ares os teus serão clareira,
Orla, bosque soltos na corrente.
Gostarias então de lembrar
O que para trás se deixou.
Narrar o semeado nos vales,
Contar sobre o que ousou
Amanhecer na noite caída.
Lendo, lembrança é assim dita,
Vista no espelho do passado.
Eterno pensar repensado,
Semente crescida, és Vida…
(Acróstico para uma das fitas que tenho de escrever xD)
Ária de sentimento e sabedoria,
Tisnaste no papel de seda
Istmo, promontório e vereda
Acesa no sonho que alumia.
Singraste e calcorreaste
Olvidada montanha e campina.
Finda a viajem em porto seguro,
Içaste velas e saltaste o muro:
Azul é o céu que se te destina.
Abres, então, asas e foges
Levada na brisa de semente.
Ares os teus serão clareira,
Orla, bosque soltos na corrente.
Gostarias então de lembrar
O que para trás se deixou.
Narrar o semeado nos vales,
Contar sobre o que ousou
Amanhecer na noite caída.
Lendo, lembrança é assim dita,
Vista no espelho do passado.
Eterno pensar repensado,
Semente crescida, és Vida…
(Acróstico para uma das fitas que tenho de escrever xD)
Lacunas de
Dedicatória,
Poesia
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Por Pintar
Quando o sonho é horizonte
Onde perdes o olhar,
Quando o horizonte é tela pintada
De sonhos somente d’outros
Pela tua prisão de sonhar,
Sabes que é semente a solidão
Que pinta retratos evasivos
Em cores de coração.
Que o último contorce-se indeciso
Segurando na mão o pincel de indagar.
Que a resposta não está no pintado,
Mas no que ficou por pintar.
(3ª tentativa de poema para o capítulo do Prín, escrito durante o pequeno-almoço num bocado de papel rasgado... nada como um input de deprimência matutina para acabar com as dúvidas. Este é o escolhido! xD)
Onde perdes o olhar,
Quando o horizonte é tela pintada
De sonhos somente d’outros
Pela tua prisão de sonhar,
Sabes que é semente a solidão
Que pinta retratos evasivos
Em cores de coração.
Que o último contorce-se indeciso
Segurando na mão o pincel de indagar.
Que a resposta não está no pintado,
Mas no que ficou por pintar.
(3ª tentativa de poema para o capítulo do Prín, escrito durante o pequeno-almoço num bocado de papel rasgado... nada como um input de deprimência matutina para acabar com as dúvidas. Este é o escolhido! xD)
sábado, 2 de abril de 2011
Sonho Eterno, Mas Já Não Teu

Sparrow, by Rock My Life
Sonhaste que eras pardal
Que vagueava solto no cantar perdido,
Calcorreando os céus d’ouro do olhar.
E, de súbito, vês-te cair.
Em rodopio vertiginoso varres o horizonte,
De modo vertical.
Feneces no suspiro dos que pisam,
Dos que pisoteiam sem sapateado sincrónico
A calçada morta.
Soltas um último pio mas não acordas.
E o sonho continua eterno,
Mas já não teu.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Espírito Sem Cor
Sopraste tintas no dispersar
Da tua imaginação,
E pintaste mundos de sinergia,
Sonhos que são tua companhia
E reflexos vivos do coração.
Então bailas em bicos de pés,
Solitária nos campos criados em flor;
Cantas à compreensão surda
E semeias fragmentos de Amor.
Porém o que é cego ao sentido
Esborrata a branco e, desentendido,
És um espírito sem cor.
(Substituição de um dos capítulos do Prín, dedicado a Dederyeh)
Da tua imaginação,
E pintaste mundos de sinergia,
Sonhos que são tua companhia
E reflexos vivos do coração.
Então bailas em bicos de pés,
Solitária nos campos criados em flor;
Cantas à compreensão surda
E semeias fragmentos de Amor.
Porém o que é cego ao sentido
Esborrata a branco e, desentendido,
És um espírito sem cor.
(Substituição de um dos capítulos do Prín, dedicado a Dederyeh)
Lacunas de
Dedicatória,
Poesia
quinta-feira, 3 de março de 2011
4 Mini-contos
Nessa noite, foi só um truque de magia que correu mal… Da cartola de que me munira durante o espectáculo para o rei e a sua corte, o coelho branco espreitara sem vontade de sair e mergulhara nas entranhas mágicas do poço sem fundo, o que me envergonhou profundamente. Amaldiçoei o animal e disse com estas mesmas palavras: que o que me envergonhou acorde morto na amanhã do próximo dia! Não sabia eu que tão simples sentença surtiria tamanho efeito… Foi assim que todo o país passou a ser controlado por uma corja de nobres mortos-vivos, pois o meu sentimento de vergonha fora devido a quem observava o meu fracasso e não ao que me levara a fracassar. Incapaz de desfazer a teia criada com uma intenção mal destilada pelas palavras, fugi para os confins remotos da cartola mágica. Fosse para onde fosse, o jantar seria assado de coelho branco.
*
Chamo-me Florya. Nasci quando os raios de Sol tocaram as pétalas da primeira flor que desabrochou. As asas nas minhas costas igualam-se às das borboletas que um dia existiram. Sou a primeira e última fada que o mundo conheceu. Todas as que vieram depois de mim foram já levadas na brisa entristecida. Caíram ao ver perecer a vida amada, suicidaram-se para não deixar vingar o ódio que perverte a alma. Porém era meu destino permanecer, ver crescer os desertos e os reflexos de mentiras que suprimiam a Natureza, e acabar com esse falso sonho de assassinos. Cresci entre eles, aprendi com eles e parte de mim transformou-se neles para compreender. Mas não compreendi o porquê da troca da vida pelo metal, por flores mecânicas com perfume de veneno. E por isso acabei com o Tudo, deixando o Nada. Hoje sou pó que restou. Eles são as cinzas mortas do egoísmo. *
Estendi a mão, permitindo que nela perecesse um daqueles flocos de neve que se precipitavam dos céus. Derreteu-se, formando uma ínfima poça de água e sangue. Levei-a junto ao rosto, cheirando-a primeiro e depois provando-a. Era aquela a prova de que necessitava. Um sorriso aflorou-me aos lábios e voltei-me para aqueles que aguardavam, expectantes. Mostrei-lhes a mão como prova do que iria dizer de seguida.- Tem gosto de anjo. Eles finalmente estão a cair dos Altos, faltam-lhe as asas que os sustentam! É chegada a hora de escrevermos o nosso próprio destino, filhos do Inferno e da Terra!
Observei de olhos rubros e fascinados e reacção daqueles que seguiam um demónio e a mentira que lhes contava. Subir ao céu naquele momento seria um mero suicídio. Mas era disso que Ele precisava, agora que não lhe sobrava uma única pluma de anjo. E eu dar-lhe-ia as almas que desejava escravizar e devorar para o paraíso do seu estômago. Que não era diferente dos Outros.
- Partamos à conquista! – Gritei, sendo acompanhado por um urro grotesco de apoio. Feito isto, invoquei a passagem até ao portão dos céus, para o qual os idiotas correram de armas em punho, mergulhando nas entranhas de Deus, perante a minha expressão maldosa. Fiz uma vénia à enorme boca devoradora de almas e voltei à Terra para resgatar mais crédulos e deixar os cépticos reconstruírem um mundo pós-apocalíptico.
*
Luzes cruas e artificiais precipitavam-se sobre a planta. Fora feita de uma única célula proveniente da sua mãe, também ela nascida daquela forma de reconstituição. E apesar da sua clara efemeridade, era diferente de todas as outras. Na sua extremidade superior segurava uma flor fértil, prestes a desabrochar. Um formigar correu as pétalas, forçando-as a abrir uma a uma e perecerem à vontade de outrem, revelando o que se desenvolvera no ovário, protegida do exterior pela cúpula de interior em veludo. Espreitou curiosa, o corpo humanóide perfeitamente delineado numa escultura de mulher minúscula. Nas costas amparava duas asas por abrir raiadas a rubro.Todo o processo foi monitorizado por um cientista que pulou da cadeira e correu até ao laboratório. Porém, quando abriu a porta e os seus olhos caíram sobre o pequeno ser, este desfez-se em cinzas. Que o olhar humano queima e mata uma fada filha da Natureza.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Mensagem , Fernando Pessoa - Brasão, Os Campos
(Juro que vou estrangular o Movie Maker por comer caracteres nas fichas...)
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
5 sentidos na Água

Magic River, by Gilad
Oiço o tímido tilintar gotejante
Estilhaçar-se no trilho irregular.
Oiço e escuto a voz sonante
Da chuva e do seu cantar.
Vejo ao longe a una multidão
De partículas, que se precipita.
Escorrega pelo leito do coração
No rio fluído que leva a vida.
E sigo-o, correndo vales,
Degustando o sabor da beleza.
Que se estende em mil abraçares
Ao estuário longínquo da certeza.
E certa é a sua chegada,
Diz-me o perfume que não engana.
Regressado nessa madrugada
À que a si se chama: maré mundana.
Paro então, de pés descalços n’areia,
Sentindo a essência fria e líquida,
Sentindo espuma viajada até minha beira,
O sussurro da água distraída.
Que o Mar fala de tudo o que é,
De tudo o que foi e de tudo que será.
Escuto, diviso e cheiro essa sua fé,
Tacteio e saboreio a vida que me dá.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Ler

Book, by Blind Man Photo
Uma palavra escuta-se ao ouvido do pensar.
É sentida com um vislumbre de desatenção,
E observada quando o não saber
Chama a atenção do coração.
Explora-a assim, e às que a seguem,
Em modo de as conhecer.
Saltando de linhas, degrau a degrau,
No seu perene desentender.
Porém hesita e recua aquele saltitar.
Que no ver passar, a curiosidade
Brincou às cócegas com o espírito
Desejando sua a insanidade.
Retorna então ao início e inicia.
Mas que recomeço é esse do recomeçar?
É o entender o desentendido
Que só a leitura sabe pintar.
Que somos cegos à primeira frase
Até nos chegar a palavra perdida.
Que ler, para quem sente a leitura,
É viver vivo outra vida.
Natureza do Amor (Algo lamechas II... nhe!)

Bajo la raiz, by NuriaMM
A “Natureza do Amor” tem o fogo
Que se empluma desnudo,
Recriando a cor do que é o amor
Pintado em telas do Mundo.
É com essa cor que pintaste
As mil e uma do meu coração,
Que és o carinho da vida minha
O calor de que se traja a paixão.
Um sonho de tintas esborratadas
O qual só tu sabes pintar.
És artista abstracto e matizaste
A vida e a vontade de sonhar.
E eu retribuo com o canto
De versos tímidos do florir.
Que o idílico é o teu alento,
Os teus lábios, e o teu sorrir.
Então, que nos ramos se adensem
As flores que despontam no coração,
Para se colherem, que amadurecem,
Os frutos da nossa estação.
Pois as raízes se aprofundam
E prendem a si da terra o fervor.
Que sejam esses os alicerces vivos
Do nosso eterno amor.
Algo lamechas... nhe!
Quis um dia meu olhar contemplar
O que a Evolução fez de perfeito,
O que é Sol e estrela do pensar,
E anseio no meu peito.
Quis um dia minha alma sentir
Sentimento semeado ao vento,
Vontade tonta de sorrir,
A que sinto com teu alento.
Que és meu licor aquecido
Nos abraços densos da paixão,
O embriagar do que chamo espírito,
O embalar do coração.
Chamo-te “Mundo”, que és o meu,
Por entre um beijar ao inato.
Mundo e universo de Galileu
Que és o céu… e o que faço?
Escrevo-te versos toscos, desnudos
Do que é fútil ao beijar.
Que nestas quadras estamos juntos
E pinto nelas o amar.
Aquele que te pertence, esborratado
Em cores do amanhecer e d’aurora.
Que é tua a beleza do sonhado
Onde perdi a solidão de outrora.
(Não gosto de poemas deste género xD)
O que a Evolução fez de perfeito,
O que é Sol e estrela do pensar,
E anseio no meu peito.
Quis um dia minha alma sentir
Sentimento semeado ao vento,
Vontade tonta de sorrir,
A que sinto com teu alento.
Que és meu licor aquecido
Nos abraços densos da paixão,
O embriagar do que chamo espírito,
O embalar do coração.
Chamo-te “Mundo”, que és o meu,
Por entre um beijar ao inato.
Mundo e universo de Galileu
Que és o céu… e o que faço?
Escrevo-te versos toscos, desnudos
Do que é fútil ao beijar.
Que nestas quadras estamos juntos
E pinto nelas o amar.
Aquele que te pertence, esborratado
Em cores do amanhecer e d’aurora.
Que é tua a beleza do sonhado
Onde perdi a solidão de outrora.
(Não gosto de poemas deste género xD)
Lince Ibérico (Acróstico)

Lince, by Griffin
Lembrança de gato há muito perdida,
Inato desconfiado, olhar arguto de intenção felina.
Nuances selvagens da Ibéria são essas das pupilas
Cor de liberdade, cor do passado das vidas,
E da esperança de um dia.
Imiscui-se o mistério na tua pelagem
Banhada do sonho de garras afiadas.
És pequeno e doce de cerne selvagem,
Rumor, que no bosque voas sem asas!
Istmo do querer prevalecer, teus rosnares
Cantam o ser de mim e, no meu coração,
Oiço o lince Ibérico em extinção…
Lacunas de
Dedicatória,
Poesia
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Nos Bolsos do Tempo

Flown With the Wind, by Vladimir Kush
Albergo a voz inconstante do pranto, nos alforges roubados.
Fugiram nos bolsos do Tempo que corria célere,
Num corrupio de dança ousada, sapateado louco de dia de chuva
E canoro canto de rouxinol enrouquecido.
Mas vi-os saltar, de súbito, na lama esborratada do trilho sinuoso,
Que, ao longe, tropeçou Ele num pedaço caído d’alma.
Quem perdia pedaços de si, sem se aperceber que desfaleciam
Donde a vontade se esquecia de viver?
Quedei-me a observá-lo, apanhando os restos deixados no caminho
Contido dos que gritavam sem se ouvir.
O vento restolhava aos Seus ouvidos e apanhou-o também
Conservando-o nos alforges de caminhante que coleccionava o mundo.
Depois saltou a fronteira e precipitou-se do limite do que era para o que será.
Franzi as sobrancelhas, que o deixara de ver por entre as folhas crespas.
Fora consumido pela visão matreira, levando o furto de um dia,
De mãos untadas no sangue castanho da terra.
Quem sabe, construiria um novo castelo de cartas, para além do que vi.
E quando pronto, libertaria o vento guardado no bolso fundo de fim do mundo,
Sopraria o pranto unido no calor do cerne para, na distância do inalcançável,
O perecido pedaço d’alma se encontrar com o apartado.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Pontos Negros
A neve caía, atapetando os escombros que se amontoavam nos recantos assombrados. Almas pintadas de cinzento espreitavam sob os ramos despidos de vida das árvores que floresciam espíritos desnutridos. Nada mais havia para comer. A vida, na sua essência mais clara e radiosa, murchara e perdera as suas pétalas enraizadas no cerne do coração. Contavam-se os dias que tinham passado desde o Fim. Um, dois… na verdade, eram somente segundos que se prolongavam, arranhando o que ainda suspirava, esventrando o que gritava. Não por quererem, que o Tempo nada mais quer senão decorrer no seu apressado corrupio. Porém, quem o obrigava a prolongar-se indefinidamente, como se parado num momento grotesco de um retrato surreal? Os atentos conheciam a resposta, viam-na olhá-los na sua mortandade desfalecida. Que muitos eram os olhos que abarcavam o horizonte, aproximando-se, sequiosos. Os crocitares encheram o céu em uníssono, qual canto de outro mundo. Que se não havia vida para devorar, a morte seria alimento para os corvos. Enquanto os segundos adensassem o seu trilho no Presente, aquele momento perduraria.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Cântico do Mar

The Mermaid, by Howard Pyle (1910)
Cessou a sinfonia.
Quem ceifou à sereia a vida,
O cântico daquele dia
À beira-mar?
Foi barco que aportou,
De pés pesados e alma una.
Que quem aqui voltou
Não mais irá retornar.
Que foi da alma colhida
O cerne da paixão,
O cerne de uma vida,
A brisa do meu amar.
Vai longe o desejo.
Do querer ser o que era
Quedou-se somente almejo
E a questão do sonhar.
Que é a musa perdida.
Mas serão minhas as palavras,
Que num adeus de despedida
Afastarão de nós o Mar?
(Parte integrante de um conto intitulado "O Cais do Poeta")
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
O Dia
Seabird Mimicry, Tom Chambers
Um fim se avistava
Na maresia que o olhar alcança.
O perfume que emanava
Insurgia o som da Esperança.
Era o grito que urgia
Pela madrugada daquele dia.
“Que dia?” perguntou o Ente
D’uma alma que eram várias unas.
E respondi eu, dito demente,
Sussurro que varreu da alma as brumas:
O dia cego do Anjo e do Fado,
Que o proclamaram Deus e Diabo.
E esconjurou-me com palavras,
O ouvinte que ouvia o paladar.
Que se desvirtuaram almas amargas
Num trôpego passo do meu bailar.
A corda partira-se e fugira
Do acorde que do Ente emergira.
Mas que bailado era o meu
Na sinfonia desse dia!
Um sopro de vida de Romeu
Um suspiro de Julieta que se perdia.
E uma caravela rumando ao largo,
Era chegada a vinda do Aventurado.
(Parte integrante de um conto intitulado "Uma Alma Lisboeta")
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Flor do Deserto
No horizonte era uma flor. Com passos suaves de pés descalços, Hely aproximou-se daquela gigantesca maravilha de pétalas lilases que despontava do meio do nada. Nas suas costas, duas asas azuis tremeluziam sob o Sol escaldante que atingira o zénite. O calor era imenso, porém a pele ebúrnea, incapaz de senti-lo, continuava fresca qual ribeiro dos montes. Querendo ser mais célere, a fada abandonou a locomoção do Homem e tomou para si a das aves, dos morcegos e dos dragões, subindo nos céus e avançando para a pequena maravilha que se agigantava perante o olhar. A ânsia metamorfoseou-se em choque, ao deparar-se com o longe, agora perto. As mãos de dedos pequenos e singelos tocaram na superfície metálica da outrora planta. Recolheu-os de imediato de encontro ao peito, salvando-os de uma queimadura que lhe devoraria a pele. Aquilo não era a sua flor do deserto, não possuía a vida pulsante, nem a alma de um ser natural. Os olhos grandes e expressivos encheram-se de lágrimas face à desilusão. Quem colhera todas as flores do mundo e deixara apenas o espectro da vida? Hely sabia a resposta, mas não queria admiti-la…
Lacunas de
Conto,
Dedicatória
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Essência de Liberdade

Potencial, by Puimun
A liberdade é um fio de cabelo
Que sufoca a independência
Do que se estende ao vento para voar.
Se lhe cortares o corpo que se adensa,
Removes a fuga e a interacção,
E será apenas uma árvore expectante
De que sejam pés suas raízes
E que seja a madeira um coração.
No entanto, continua retida ao físico
Da mente temerosa, escrava
Do que é ou pensa ser por sê-lo.
Cabelo ou árvore, a liberdade vive
Apreendida por querer o que será.
Que quando não o quiser
Ao erguer braços ao céu em fogo,
O seu corpo sê-lo-á.
E será pó polvilhado nas estrelas,
Que decairão a sua liberdade num refulgir
Do espírito prisioneiro do Tempo.
Conta os dias, e será água.
Conta os anos, e será morte ou vida.
Conta os séculos, e pensa.
Conclusão advinda é vasta e livre.
Essência reavida.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Vass Therna Cellor Heligire
E esta foi a prenda de Natal para o Fred, algo meio atribulado de se fazer, porque alguém se lembrou de brincar com o Sibelius 6
Lacunas de
Dedicatória,
Élfico,
Poesia
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