terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Amálgama do Céu além Molde
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Ritual
terça-feira, 27 de novembro de 2012
A Estrada Correu
Alma e Larva
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Semeei Flores no Regaço Cálido
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| Ces Jours de Lumiére, por Emilie Leger |
domingo, 25 de novembro de 2012
Caminhas Passos Invisíveis
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Quanto se conta do Vento
![]() |
| ©Stephanie Pui-Mun Law |
sábado, 6 de outubro de 2012
Somos o Dito Pão do Pecar (Caderno dos 80 temas - Kath)
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Conto "Gula"
domingo, 1 de julho de 2012
O Fogo é Líquido no teu Cabelo
Debruçado à janela dos sonhos.
Pinga das madeixas soltas ao vento,
E vem aquecer-me,
Abraçar-me num toque lento
De quem teme e foge
Do mundo.
Não temas, que o temor
Tem vontade de roubar a vida,
E é imensa a que resguardas
Longe do olhar, perdida,
Nos bosques do pensar.
E temo, temo tanto,
Por te magoar.
Foges sem correr,
Incendeias com palavras
O que desejas nunca ver
Em chamas tão argutas de vivas.
Não compreendes então
Esta silenciosa mão
Que se estende para ti.
Aguardo e escuto
O crepitar que te enche,
A ameaça que é mentira nua
Contada a ti por ti, só tua.
E apago-a com um abraço
Tão sincero que me perco
No fogo líquido do teu regaço.
domingo, 24 de junho de 2012
Longe Senta-se o Olhar
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Palavras
Vasto qual o veludo negro além céu,
Denso como o cerne da estrela mãe,
Vivo igual à chama de Prometeu
Que levou o Homem para Além!
São a levedura que tinge o sonho,
E dão vida a imagens mil,
Que se nem mil palavras descrevem uma,
Uma palavra de nome senil
Caracteriza a mente cega e surda.
Que uma única palavra tem em si
A brisa que na alma enfuna
O elo do Universo.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Cataratas da Memória
Simples como o primeiro e árduo voo
Escondido no inspirar.
Quando o roubam, o rio cai,
Cantando às cataratas da memória,
Contando essa antiga história
Que se afasta para o mar.
E ele está cheio de recordações,
Que ondulam serenas, num dia;
Revolvem o profundo em lágrimas e temer,
No outro revolto dia que te dizia
Para não esquecer.
(Capítulo XVII do Prín)
terça-feira, 20 de março de 2012
Arranhar das Engrenagens (O Caderno dos 80 Temas - Kath)
Ferindo a carne, as veias secas,
Retardando um pulso da pulsação,
Desfazendo os ossos, roendo os nervos,
Oxidando o coração.
Sintomas de doença sem crença
Que enferruja o que há a minar;
Rompe a pele, enruga o pensamento,
Desencobre a máquina da alma velha
Consumida pelo Tempo.
Cada peça dentada é pó à brisa
E o espírito ferrugem do firmamento.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Escarpas do Fim do Mundo (O Caderno dos 80 Temas - Kath)
Trajadas de burcas e despidas do olhar,
Pairam nas bainhas do tom profundo
Da alva escuma do espiar.
O trovejar do canto é melodia rouca,
Resmoneio contigo do interior do mar.
Vem às ondas e lança a voz, que é louca
A donzela sereia que te vem escutar.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Vollüspa - Antologia de Contos de Literatura Fantástica
Muito mais que um título, Vollüspa significa renovação, a morte do velho e o nascimento do novo, purificação, se o leitor preferir. Foi deste vocábulo da mitologia Nórdica, retirado do Edda Poético, fonte de inspiração de muita da literatura fantástica, que surgiu a ideia um trabalho desde tipo.
A ideia é simples: juntar alguns dos melhores autores portugueses de literatura fantástica com vozes mais desconhecidas, mas não menos importantes, e dar a conhecer os seus trabalhos de ficção curta. O objectivo é claro: ajudar a alcançar uma revitalização no género da Ficção Científica e do Fantástico! A literatura fantástica precisa destes projectos. É necessário dar a conhecer novos mundos, bem como oferecer uma nova base de trabalho para os autores, onde possam desenvolver a sua paixão.
Os três grandes géneros da literatura fantástica estão representados neste volume: a Ficção Científica, com textos de Afonso Cruz, João Ventura, Luís Filipe Silva, Carlos Silva e também com um texto da autoria do coordenador, Roberto Mendes. É notória uma aproximação ao Terror e ao Realismo Mágico nos textos de José Pedro Lopes e de José Manuel Morais. A fantasia de Joel Puga, Carla Ribeiro, Álvaro de Sousa Holstein, Regina Catarino, Marcelina Gama Leandro, Nuno Gonçalo Poças, Carina Portugal e o conto de Pedro Ventura, que recupera o ambiente de Rod Serling, oferecendo ao leitor uma viagem no universo típico de Twilight Zone, completam o ciclo desta primeira Vollüspa. O leitor pode deambular entre a história de um último vampiro, receber os recados de máquinas que escrevem sozinhas, conhecer raças alienígenas que dominam os humanos num futuro distante, assistir à queda de Roma, ouvir os acordes de uma música que toca as almas de uma forma muito especial, ser levado ao limite pela figura mítica da morte, viajar pelos céus descobrindo os seus segredos e celebrar um natal artificial, onde tudo imita o verdadeiro, sempre com a devida patente registada…
Autores:
Afonso Cruz
Álvaro de Sousa Holstein
Carla Ribeiro
Carlos Silva
Carina Portugal
João Ventura
Joel Puga
José Manuel Morais
José Pedro Lopes
Luís Filipe Silva
Marcelina Gama Leandro
Nuno Gonçalo Poças
Pedro Ventura
Regina Catarino
Roberto Mendes
A antologia custa 13€ e por agora pode ser adquirida no site da HM editora.
Correio do FantásticoP.S.: Muito em breve será disponibilizado um .pdf gratuito com um dos contos da antologia.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Como um sopro de Primavera

Getting Zen, by Claudia
Ser mulher é como um sopro de Primavera
Num exalto ao espírito da vida;
É como ser em sonho a Flor da Terra,
Que com o coração fértil semeia o inconstante
Do Ser que nasce navegante
E remexe o olvidar da criação;
É como ser água que irriga a semente até ao mar,
E a leva nos braços bravos a conhecer o mundo;
É como ser o infinito num só olhar,
Onde se reflecte a magia do que é profundo.
Que a mulher é como a chuva de Verão,
Onírica.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Livro "O Retrato da Biblioteca"

Ao princípio pensei em vendê-lo por 2€, como preço simbólico, mas acabei por considerar deixar que fosse o leitor a decidir. Ou seja, leitura grátis para quem quiser (claro que ficava contente se recebesse qualquer coisa para comprar o passe :p)!
Podem ver informações básicas do livro aqui:
O Retrato da Biblioteca, Goodreads
E mais informações aqui: O Retrato da Biblioteca, página do Facebook
E, se estiverem interessados, basta mandarem-me uma mensagem :)
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Aline (O Caderno dos 80 Temas - Kath)
O corpo de Amadis começou a esfumar-se no ar e foi levado pela brisa. Lá em baixo, o unicórnio soltou um relincho quando o seu legítimo dono o montou, afastando-se no horizonte escuro, poucos segundos depois.
Com um piscar de olhos, Aline regressou para junto da cama de dossel rasgado, após apanhar os binóculos do chão. Deixara a sua hipótese de fuga ir-se embora com o vento e ficara sozinha novamente, sem saber como sair. Um cisco inoportuno entrou-lhe para um dos olhos, levando a que uma lágrima se vertesse. Ou pelo menos seria essa a desculpa que a caçadora utilizaria se alguém lhe perguntasse a razão do seu choro.
– Amadis… – sussurrou, encolhendo-se um pouco sobre os joelhos. – Porquê que és um idiota?
A superfície lisa do espelho emitiu um brilho fugaz e a extremidade de um tabuleiro surgiu acompanhada por uma mão, que se preparava para pousar o jantar da caçadora. Ela lançou-lhe um olhar torto e não pensou um instante antes de arremessar novamente os binóculos. Desta vez falhou o alvo, conseguindo a mão escapar ilesa. Praguejou, chamando-lhe todo um chorrilho de nomes menos próprios em francês.
Ficou muito quieta, pensando em como tudo aquilo tinha começado. Não conseguia recordar-se perfeitamente, só sabia que um dia acordara e estava ali, deitada naquela cama, no cimo daquela torre feia e meia torta que cheirava a mofo. E lembrava-se de como o calor e o frio alternavam, com o nascer e o pôr-do-sol que aconteciam a um ritmo acelerado. Estremeceu e abraçou o próprio corpo, esfregou os braços para se aquecer, mas sabia que não iria sortir resultado. Era como se um demónio glaciar soprasse à janela e inundasse o quarto com o seu frio. Em resposta àquela sensação, os dentes começaram a tiritar.
Deixou-se então deitar na cama, sem se tapar. Quando adormecia, os lençóis brancos transformavam-se em fantasmas que a agarravam, e o melhor método para o evitar era dormir sobre eles. Tentara destruí-los à pancada e com virotes de besta, mas eles resistiram e ficaram somente esburacados.
Com um inspirar fundo, chamou a calma a si, para que pudesse dormir mais uma curta e longa noite. Se um dia apanhasse o Deus Hipno e os filhos, ensiná-los-ia a não se meterem consigo…
Um toque leve no rosto despertou-a, e não foi preciso mais do que isso para ela saltar da cama e afastar-se numa corrida, antes de sequer ver quem poderia ser.
– Minha donzela – começou o príncipe Amadis, ainda com a mão estendida perto do local onde a caçadora tivera a cabeça –, trouxe-vos auxílio, após uma árdua busca.
Os olhos da caçadora saltaram para uma figura diminuta, ao lado do vampiro. Por um momento pensou que era uma daquelas fadas que ele descrevera, até se lembrar que estas deviam ser cinco vezes mais pequenas. Era uma miúda maltrapilha, com a boca suja de chocolate e o cabelo desgrenhado. Ela retribuía-lhe a atenção com dois olhos muito expressivos que a escrutinavam de cima a abaixo, como se conseguissem ver para além de si.
– Uma criança... – constatou, fingindo-se pouco crédula. – Como é que uma criança me pode ajudar?
– Chamo-me Magda e sou bruxa – ripostou a miúda, num tom cáustico. – Respeitinho ou transformo-te numa lesma ranhosa.
Amadis afastou-se um passo despercebido, como para se certificar de que a ameaça não se dirigia também a ele por engano ou por arrasto. A suposta pequena feiticeira ignorou-o e aproximou-se do espelho, enquanto tirava o resto do chocolate do bolso do vestido de bainhas descosidas. Deu-lhe uma dentada enquanto observava as inscrições estranhas.
– Aqui diz que – começou, de boca cheia – “O pensamento frontal e maiúsculo reflecte o enigma: testemunha a esperança e sonha a terra adventícia”.
Aline e Amadis observaram a menina que saboreava o chocolate, enquanto pensava naquelas palavras enigmáticas. Nenhum dos dois compreendeu o que poderia querer dizer a frase.
– Ah, é fácil – acabou Magda por afirmar, voltando-se para a ex-princesa. – Tens de encostar a testa ao espelho.
O silêncio instalou-se entre eles, ao ouvirem aquela afirmação, só interrompido pelo relinchar impaciente do unicórnio.
– Encostar a testa ao espelho… e como é que chegaste a essa conclusão? Qual é mesmo a tua lógica? – Aline cruzou os braços sobre o peito. Algo que lhe dizia que a miudinha estava a tentar aldrabá-la.
Magda revirou os olhos, antes de apontar com o chocolate à inscrição do espelho.
– “Testemunha a esperança e sonha a terra adventícia”, se fizermos um acrónimo com isto, ficamos com a palavra TESTA. E depois ainda há esta parte do pensamento frontal, que também remete para “testa”, e a parte da reflexão. Tendo em conta que este espelho não reflecte o raio que o parta, talvez possa reflectir os teus pensamentos se encostares lá a cabeça – explicou.
A cabeça de Amadis acenou, parecendo ficar extremamente convencido com aquela explicação. Quanto à caçadora, fez um leve esgar de dúvida. Todavia não perdia nada em tentar. No máximo fazia figura de parva. Avançou até perto da superfície espelhada que nada reflectia e no momento a seguir já lhe tinha encostado a fronte. Nada aconteceu.
– Estou a fazer alguma coisa mal? – perguntou, pouco amavelmente.
– Hm… fecha os olhos – ordenou Magda, dando outra dentada no chocolate.
Com um ranger de dentes, obedeceu à criança. Sentiu-se igual: em pé, com a testa contra um espelho frio, a seguir os conselhos de uma fedelha gulosa. Contudo, instantes depois, um beijo leve mas frio tocou-lhe a bochecha.
– Amadis? – questionou, antes de ser acometida por uma vertigem brusca que lhe roubou o chão dos pés. A mente toldou-se com uma névoa negra e as costas bateram sem aviso, mas não sobre a pedra do quarto. Lembrava-lhe mais um colchão. A superfície do espelho tornou-se húmida, macia e moldável, mas continuou fria. Atreveu-se a abrir as pálpebras, hesitante, e viu o rosto dele próximo do seu. – Amadis?
– Sou eu – confirmou, com um sorriso terno. – Fico feliz por te ver acordada. Já te íamos levar ao hospital se a febre não baixasse.
Piscou os olhos, assimilando o que escutava. Hospital? Febre? Com cuidado levou uma mão até à testa, sentindo a toalha fria. Com que então era isso. Soltou um suspiro e não deixou de sorrir. Fora tudo um pesadelo.
– Sonhei que eras um príncipe encantado bissexual com um unicórnio, morceguito – comentou, fechando os olhos e não deixando de sorrir ao dizer aquilo.
– Por acaso, comprei um unicórnio de peluche para te oferecer, minha caçadora… como é que adivinhaste?
Aline riu-se baixinho. Aquele já era o seu Amadis.





