terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Amálgama do Céu além Molde



Nasceu estrela quando era só
Sonho em caixa de coração,
O correr apressado do dia
Que dorme, essa ilusão.

Rebento de luz, calor, gelo,
Pó de cometa sem sê-lo.

Foi, será, até deixar,
Amálgama do céu além molde,
Que a lembrança é do Tempo,
E o Universo evolve.



21 - Lembrança

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ritual


Sonho a vida dos condenados
No teu cabelo cor de neve,
Oiço os ecos que, desmembrados,
Alvoram ao sangue que os inspira,
Urdem fugas da carne mole
E escondem o cerne da mentira.
Que com a tua voz de menina
Selo o frasco do embrião.
A roda gira o tempo,
O tempo prende-se na mão
E dança, dança louco,
Sem coração.


(Epílogo do Prín)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Estrada Correu

A estrada correu
Com longas braçadas em par,
Que as pernas alguém lhe comeu
Na fome de caminhar.

Deixa-me então provar-lhe os braços;
Encontrarei neles asas para voar
Dos toscos passos dados
No trilho que é nada imaginar.

Alma e Larva


Fundamentas com reversos de terra
A vida que em ti habita.
Afirmas que com fé prospera
No firmamento da alma rica:
A bolota que o esquilo enterrou,
Larva no limbo do teu avô.

Que os ascendentes e a terra
Regurgitam vermes de entranhas
Cheias, que a Ceifeira é certa,
E a foice promessas santas.
O óbolo é soturna Sorte
De como te rouba a Morte.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Semeei Flores no Regaço Cálido

Ces Jours de Lumiére, por Emilie Leger



Semeei flores no regaço cálido
Do céu que é minha manta.
Semeei sempre de mão aberta,
Que a vontade era quanta,
A de ver cada rebento florir
Aleatório na vida que há-de vir.


E floriram de pétalas mortas,
Sob o sopro do nevoeiro.
Assim o contam, que não as vi.
Das mãos abertas caiu paradeiro
Dos olhos que semeei
Com os mistérios de El-Rei.

domingo, 25 de novembro de 2012

Caminhas Passos Invisíveis


Caminhas passos invisíveis
Num lugar pintado de inexistente.
Olhas para trás e vez nada,
O mesmo nada onde o poente
Do Sol é luz rasgada
Pela adaga roubada à noite.

Caminhas e os teus pés são
Ossos descalços do coração.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Quanto se conta do Vento

©Stephanie Pui-Mun Law








Quanto se conta do vento
Num suspiro do Tempo?
Conta-se tudo, que todos são
Indistintos na imensidão.



sábado, 6 de outubro de 2012

Somos o Dito Pão do Pecar (Caderno dos 80 temas - Kath)




The Seven Deadly Sins and the Four Last Things,
 by Hieronymus Bosch, 1485



O querer, não querer, por querer,
O quase que desvirtua o sentido,
Somos a ira dos olhos por ver,
O coração em pompa consumido.

O arrepio na pele carnal do ser
O que te engasga por ser demais,
Somos o ter tudo e não ter,
E o reclinar dos fundos abissais.

O pesadelo que é sonhar,
E que deliciado dorme contigo;
Somos o dito pão do pecar,
Os fiéis amigos do inimigo.

 20 - Sete Pecados

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Conto "Gula"

Para quem quiser ler, aqui fica o conto que escrevi para o blogue "Fantasy & Co", dedicado à literatura fantástica!

domingo, 1 de julho de 2012

O Fogo é Líquido no teu Cabelo

O fogo é líquido no teu cabelo
Debruçado à janela dos sonhos.
Pinga das madeixas soltas ao vento,
E vem aquecer-me,
Abraçar-me num toque lento
De quem teme e foge
Do mundo.

Não temas, que o temor
Tem vontade de roubar a vida,
E é imensa a que resguardas
Longe do olhar, perdida,
Nos bosques do pensar.
E temo, temo tanto,
Por te magoar.

Foges sem correr,
Incendeias com palavras
O que desejas nunca ver
Em chamas tão argutas de vivas.
Não compreendes então
Esta silenciosa mão
Que se estende para ti.

Aguardo e escuto
O crepitar que te enche,
A ameaça que é mentira nua
Contada a ti por ti, só tua.
E apago-a com um abraço
Tão sincero que me perco
No fogo líquido do teu regaço.

domingo, 24 de junho de 2012

Longe Senta-se o Olhar



Longe senta-se o olhar,
Mãos pousadas no regaço ledo,
Atenção vasta no além do mar,
Quando o alcançam sussurro e segredo
Vindos do mundo a marear.

Aportam a seus pés desnudos,
Levados à areia por volúveis ombros,
Fortes de escuma em água e ar unos.
Enviados são, erguidos dos escombros,
De alma deitada aos mares profundos.

Ao olhar reflectem a réstia passageira
Que se arrasta pelos trilhos dos que são
Terra e Mar em união.

Foram do mundo essência verdadeira
E conquista lançada ao vento,
Qual semente sem rebento.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Palavras

As palavras são um mundo
Vasto qual o veludo negro além céu,
Denso como o cerne da estrela mãe,
Vivo igual à chama de Prometeu
Que levou o Homem para Além!

São a levedura que tinge o sonho,
E dão vida a imagens mil,
Que se nem mil palavras descrevem uma,
Uma palavra de nome senil
Caracteriza a mente cega e surda.

Que uma única palavra tem em si
A brisa que na alma enfuna
O elo do Universo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cataratas da Memória

O fôlego da vida é um sonho
Simples como o primeiro e árduo voo
Escondido no inspirar.
Quando o roubam, o rio cai,
Cantando às cataratas da memória,
Contando essa antiga história
Que se afasta para o mar.
E ele está cheio de recordações,
Que ondulam serenas, num dia;
Revolvem o profundo em lágrimas e temer,
No outro revolto dia que te dizia
Para não esquecer.

(Capítulo XVII do Prín)

terça-feira, 20 de março de 2012

Arranhar das Engrenagens (O Caderno dos 80 Temas - Kath)

Oiço o arranhar das engrenagens,
Ferindo a carne, as veias secas,
Retardando um pulso da pulsação,
Desfazendo os ossos, roendo os nervos,
Oxidando o coração.

Sintomas de doença sem crença
Que enferruja o que há a minar;
Rompe a pele, enruga o pensamento,
Desencobre a máquina da alma velha
Consumida pelo Tempo.

Cada peça dentada é pó à brisa
E o espírito ferrugem do firmamento.

19 - Ferrugem da Alma

segunda-feira, 19 de março de 2012

Escarpas do Fim do Mundo (O Caderno dos 80 Temas - Kath)

Em ti ressoam as escarpas do fim do mundo,
Trajadas de burcas e despidas do olhar,
Pairam nas bainhas do tom profundo
Da alva escuma do espiar.

O trovejar do canto é melodia rouca,
Resmoneio contigo do interior do mar.
Vem às ondas e lança a voz, que é louca
A donzela sereia que te vem escutar.

18 - Música

sexta-feira, 16 de março de 2012

Vollüspa - Antologia de Contos de Literatura Fantástica


Prefácio:

Muito mais que um título, Vollüspa significa renovação, a morte do velho e o nascimento do novo, purificação, se o leitor preferir. Foi deste vocábulo da mitologia Nórdica, retirado do Edda Poético, fonte de inspiração de muita da literatura fantástica, que surgiu a ideia um trabalho desde tipo.

A ideia é simples: juntar alguns dos melhores autores portugueses de literatura fantástica com vozes mais desconhecidas, mas não menos importantes, e dar a conhecer os seus trabalhos de ficção curta. O objectivo é claro: ajudar a alcançar uma revitalização no género da Ficção Científica e do Fantástico! A literatura fantástica precisa destes projectos. É necessário dar a conhecer novos mundos, bem como oferecer uma nova base de trabalho para os autores, onde possam desenvolver a sua paixão.

Os três grandes géneros da literatura fantástica estão representados neste volume: a Ficção Científica, com textos de Afonso Cruz, João Ventura, Luís Filipe Silva, Carlos Silva e também com um texto da autoria do coordenador, Roberto Mendes. É notória uma aproximação ao Terror e ao Realismo Mágico nos textos de José Pedro Lopes e de José Manuel Morais. A fantasia de Joel Puga, Carla Ribeiro, Álvaro de Sousa Holstein, Regina Catarino, Marcelina Gama Leandro, Nuno Gonçalo Poças, Carina Portugal e o conto de Pedro Ventura, que recupera o ambiente de Rod Serling, oferecendo ao leitor uma viagem no universo típico de Twilight Zone, completam o ciclo desta primeira Vollüspa. O leitor pode deambular entre a história de um último vampiro, receber os recados de máquinas que escrevem sozinhas, conhecer raças alienígenas que dominam os humanos num futuro distante, assistir à queda de Roma, ouvir os acordes de uma música que toca as almas de uma forma muito especial, ser levado ao limite pela figura mítica da morte, viajar pelos céus descobrindo os seus segredos e celebrar um natal artificial, onde tudo imita o verdadeiro, sempre com a devida patente registada…

Autores:

Afonso Cruz
Álvaro de Sousa Holstein
Carla Ribeiro
Carlos Silva
Carina Portugal
João Ventura
Joel Puga
José Manuel Morais
José Pedro Lopes
Luís Filipe Silva
Marcelina Gama Leandro
Nuno Gonçalo Poças
Pedro Ventura
Regina Catarino
Roberto Mendes

A antologia custa 13€ e por agora pode ser adquirida no site da HM editora.

Correio do Fantástico

P.S.: Muito em breve será disponibilizado um .pdf gratuito com um dos contos da antologia.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Como um sopro de Primavera


Getting Zen, by Claudia

Ser mulher é como um sopro de Primavera
Num exalto ao espírito da vida;
É como ser em sonho a Flor da Terra,
Que com o coração fértil semeia o inconstante
Do Ser que nasce navegante
E remexe o olvidar da criação;

É como ser água que irriga a semente até ao mar,
E a leva nos braços bravos a conhecer o mundo;
É como ser o infinito num só olhar,
Onde se reflecte a magia do que é profundo.

Que a mulher é como a chuva de Verão,
Onírica.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Livro "O Retrato da Biblioteca"


Bem, depois de algumas tentativas para editar o meu 1º livro, e de ter recebido "não's", "sim's mas com patrocínio do autor" e "Sim's, mas o contrato não apareceu até hoje", decidi publicar uma versão e-book, mesmo sabendo que não é muito apelativo para algumas pessoas.

Ao princípio pensei em vendê-lo por 2€, como preço simbólico, mas acabei por considerar deixar que fosse o leitor a decidir. Ou seja, leitura grátis para quem quiser (claro que ficava contente se recebesse qualquer coisa para comprar o passe :p)!

Podem ver informações básicas do livro aqui:
O Retrato da Biblioteca, Goodreads

E mais informações aqui: O Retrato da Biblioteca, página do Facebook

E, se estiverem interessados, basta mandarem-me uma mensagem :)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Aline (O Caderno dos 80 Temas - Kath)

- Parte III -

– Talvez seja mesmo melhor ir-me embora e deixar-vos aqui fechada, donzela – acabou por concluir, regressando para junto da janela. – Talvez outro cavaleiro não se importe de socorrê-la. E talvez esse outro cavaleiro deseje mais recompensas para além do vosso bem-estar.

O corpo de Amadis começou a esfumar-se no ar e foi levado pela brisa. Lá em baixo, o unicórnio soltou um relincho quando o seu legítimo dono o montou, afastando-se no horizonte escuro, poucos segundos depois.

Com um piscar de olhos, Aline regressou para junto da cama de dossel rasgado, após apanhar os binóculos do chão. Deixara a sua hipótese de fuga ir-se embora com o vento e ficara sozinha novamente, sem saber como sair. Um cisco inoportuno entrou-lhe para um dos olhos, levando a que uma lágrima se vertesse. Ou pelo menos seria essa a desculpa que a caçadora utilizaria se alguém lhe perguntasse a razão do seu choro.

– Amadis… – sussurrou, encolhendo-se um pouco sobre os joelhos. – Porquê que és um idiota?

A superfície lisa do espelho emitiu um brilho fugaz e a extremidade de um tabuleiro surgiu acompanhada por uma mão, que se preparava para pousar o jantar da caçadora. Ela lançou-lhe um olhar torto e não pensou um instante antes de arremessar novamente os binóculos. Desta vez falhou o alvo, conseguindo a mão escapar ilesa. Praguejou, chamando-lhe todo um chorrilho de nomes menos próprios em francês.

Ficou muito quieta, pensando em como tudo aquilo tinha começado. Não conseguia recordar-se perfeitamente, só sabia que um dia acordara e estava ali, deitada naquela cama, no cimo daquela torre feia e meia torta que cheirava a mofo. E lembrava-se de como o calor e o frio alternavam, com o nascer e o pôr-do-sol que aconteciam a um ritmo acelerado. Estremeceu e abraçou o próprio corpo, esfregou os braços para se aquecer, mas sabia que não iria sortir resultado. Era como se um demónio glaciar soprasse à janela e inundasse o quarto com o seu frio. Em resposta àquela sensação, os dentes começaram a tiritar.

Deixou-se então deitar na cama, sem se tapar. Quando adormecia, os lençóis brancos transformavam-se em fantasmas que a agarravam, e o melhor método para o evitar era dormir sobre eles. Tentara destruí-los à pancada e com virotes de besta, mas eles resistiram e ficaram somente esburacados.

Com um inspirar fundo, chamou a calma a si, para que pudesse dormir mais uma curta e longa noite. Se um dia apanhasse o Deus Hipno e os filhos, ensiná-los-ia a não se meterem consigo…

Um toque leve no rosto despertou-a, e não foi preciso mais do que isso para ela saltar da cama e afastar-se numa corrida, antes de sequer ver quem poderia ser.

– Minha donzela – começou o príncipe Amadis, ainda com a mão estendida perto do local onde a caçadora tivera a cabeça –, trouxe-vos auxílio, após uma árdua busca.

Os olhos da caçadora saltaram para uma figura diminuta, ao lado do vampiro. Por um momento pensou que era uma daquelas fadas que ele descrevera, até se lembrar que estas deviam ser cinco vezes mais pequenas. Era uma miúda maltrapilha, com a boca suja de chocolate e o cabelo desgrenhado. Ela retribuía-lhe a atenção com dois olhos muito expressivos que a escrutinavam de cima a abaixo, como se conseguissem ver para além de si.

– Uma criança... – constatou, fingindo-se pouco crédula. – Como é que uma criança me pode ajudar?

– Chamo-me Magda e sou bruxa – ripostou a miúda, num tom cáustico. – Respeitinho ou transformo-te numa lesma ranhosa.

Amadis afastou-se um passo despercebido, como para se certificar de que a ameaça não se dirigia também a ele por engano ou por arrasto. A suposta pequena feiticeira ignorou-o e aproximou-se do espelho, enquanto tirava o resto do chocolate do bolso do vestido de bainhas descosidas. Deu-lhe uma dentada enquanto observava as inscrições estranhas.

– Aqui diz que – começou, de boca cheia – “O pensamento frontal e maiúsculo reflecte o enigma: testemunha a esperança e sonha a terra adventícia”.

Aline e Amadis observaram a menina que saboreava o chocolate, enquanto pensava naquelas palavras enigmáticas. Nenhum dos dois compreendeu o que poderia querer dizer a frase.

– Ah, é fácil – acabou Magda por afirmar, voltando-se para a ex-princesa. – Tens de encostar a testa ao espelho.

O silêncio instalou-se entre eles, ao ouvirem aquela afirmação, só interrompido pelo relinchar impaciente do unicórnio.

– Encostar a testa ao espelho… e como é que chegaste a essa conclusão? Qual é mesmo a tua lógica? – Aline cruzou os braços sobre o peito. Algo que lhe dizia que a miudinha estava a tentar aldrabá-la.

Magda revirou os olhos, antes de apontar com o chocolate à inscrição do espelho.

– “Testemunha a esperança e sonha a terra adventícia”, se fizermos um acrónimo com isto, ficamos com a palavra TESTA. E depois ainda há esta parte do pensamento frontal, que também remete para “testa”, e a parte da reflexão. Tendo em conta que este espelho não reflecte o raio que o parta, talvez possa reflectir os teus pensamentos se encostares lá a cabeça – explicou.

A cabeça de Amadis acenou, parecendo ficar extremamente convencido com aquela explicação. Quanto à caçadora, fez um leve esgar de dúvida. Todavia não perdia nada em tentar. No máximo fazia figura de parva. Avançou até perto da superfície espelhada que nada reflectia e no momento a seguir já lhe tinha encostado a fronte. Nada aconteceu.

– Estou a fazer alguma coisa mal? – perguntou, pouco amavelmente.

– Hm… fecha os olhos – ordenou Magda, dando outra dentada no chocolate.

Com um ranger de dentes, obedeceu à criança. Sentiu-se igual: em pé, com a testa contra um espelho frio, a seguir os conselhos de uma fedelha gulosa. Contudo, instantes depois, um beijo leve mas frio tocou-lhe a bochecha.

– Amadis? – questionou, antes de ser acometida por uma vertigem brusca que lhe roubou o chão dos pés. A mente toldou-se com uma névoa negra e as costas bateram sem aviso, mas não sobre a pedra do quarto. Lembrava-lhe mais um colchão. A superfície do espelho tornou-se húmida, macia e moldável, mas continuou fria. Atreveu-se a abrir as pálpebras, hesitante, e viu o rosto dele próximo do seu. – Amadis?

– Sou eu – confirmou, com um sorriso terno. – Fico feliz por te ver acordada. Já te íamos levar ao hospital se a febre não baixasse.

Piscou os olhos, assimilando o que escutava. Hospital? Febre? Com cuidado levou uma mão até à testa, sentindo a toalha fria. Com que então era isso. Soltou um suspiro e não deixou de sorrir. Fora tudo um pesadelo.

– Sonhei que eras um príncipe encantado bissexual com um unicórnio, morceguito – comentou, fechando os olhos e não deixando de sorrir ao dizer aquilo.

– Por acaso, comprei um unicórnio de peluche para te oferecer, minha caçadora… como é que adivinhaste?

Aline riu-se baixinho. Aquele já era o seu Amadis.

FIM

16 - Aline