segunda-feira, 11 de julho de 2016

Com o esboço de um sorriso tímido


Com o esboço de um sorriso tímido,
Conquistas do céu os astros.
És senhor de seu brilho, conquanto brilhes mais,
Irmão das que pontilham a noite.
Em teu redor gravita a consciência do ouvinte
Que escuta o bardo, e do crente
Que no altar contempla de seu anjo encarnação.
És pequena utopia nas mãos do mundo,
Filho dos deuses.

Ayalal,
21.Sarenith.4699

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Há na simplicidade a paz da descomplicação


Há na simplicidade a paz da descomplicação.
Vê como das árvores pendentes as folhas repousam,
Sem pensares.
Delongam-se na brisa que é carícia,
No vento forte que as arranca e leva em si.
Livres e simples, correm o mundo.

Ayalal,
31.Desnus.4699

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Em busca do dia em diante


Durante mais do que um humano tem de vida,
Vivi cada dia em busca do dia em diante,
Sem o encontrar.
Ele fugia (e como corria!) na agilidade mutável
Que o Tempo lhe concedeu.
Cansava-se o corpo, da consciência desgastava-se
A vontade pela busca que nada buscava.

Então, na procura pelo tempo que não pára de passar,
Aportei no porto dos enigmas, e deixei
De o querer apanhar.
Não mais quis o amanhã, para ficar preso no hoje,
No minuto que passa sob o arco que o Tempo
Perdeu no decorrer de si mesmo.
E encontrei o Presente.

Ayalal,
14.Sarenith.4699

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A poesia tem um travo doce e amargo


A poesia tem um travo doce e amargo,
Que agrada ao degustar.
A sua dor é suave, o alento sereno, porém
É de gigante a tenacidade
De fazer sentir.
Palavra a palavra, corrói de acidez e incendeia
Da alma a Vontade.
É ordem desordeira de sensações em amálgama
Que, sequiosas, bebem os sentidos,
Saciando-os.

Ayalal,
11.Sarenith.4699

terça-feira, 5 de julho de 2016

O luar é de ti guardião

Eternity ©2016 Stephanie Law




O luar é de ti guardião, quando quedas
E mergulhas nas águas dos sonhos.
Defende-te com a ternura de um beijo morno
Que desembainha, cavaleiro
Do subconsciente,
E escuda-te no abraço que envolve os mundos
Da entidade em ti presente.



Ayalal,
10.Sarenith.4699

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Há, no olhar do transeunte, um véu corrido


Há, no olhar do transeunte, um véu corrido,
Baço,
De quem vive só para ouvir bater o coração,
Que bate parado.
Olha, como quem nada vê no detalhe do complexo
Que o toca,
E não há lágrima que magoe pela dor de outrem.
A mortalha envolve a alma que a cerziu
Num padrão de malhas indiferentes,
Ignorando o verme que, sob os pés carcomidos,
É reflexo seu.
O transeunte passa e tudo o resto passa com ele,
Mas fica,
Do lado de fora do olhar.


Ayalal,
05.Sarenith.4699

sexta-feira, 1 de julho de 2016

As correntes tomam-te as penas


As correntes tomam-te as penas.
Liberta-as e sê de ti mesmo.
Evade-te da gaiola da mente
E voa com as asas do vento,
Sendo ave em sonho real.

Ayalal,
25.Desnus.4699

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Chuva


Sendo em si entidade múltipla,
Da qual é una a consciência,
A chuva precipita-se dos céus,
Cantando ao ritmo do tocar na terra
Que em seco é lama sem saber.
Lava das pedras as marcas
Do pó, num abraço húmido,
E beija a pele dos que, sentados
No campo, se apaixonam
Pela simplicidade fria que é de cada gota.
No fim, o Sol desponta e as flores sorriem,
Tomando da chuva inspiração
Para viverem.

Ayalal,
02.Sarenith.4699

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Palavras que são veneno


Quando imbuídas em veneno,
As palavras são moléstia que consome
Dos fracos o espírito e acicata
As violentas hostes da ignorância.

Ayalal,
25.Gozran.4699

terça-feira, 28 de junho de 2016

A magia do dedilhar


A magia do dedilhar,
Que da lira afaga o corpo,
É de Shelyn dádiva e condão,
Concebidos ao nascer.

É suave o toque que na corda
À nota insufla vida,
E a sua sonância é dom
Que, ao escutar, fascina.

A melodia toma o espírito,
E da consciência rouba a lógica,
Para que possa dançar livre,
Com cada um dos sentidos.

Ayalal,
31.Desnus.4699

segunda-feira, 27 de junho de 2016

De dentro do detalhe que o molda


De dentro do detalhe que o molda, 
Atenta e escuta o que conta.
Numa língua sem palavras,
O búzio murmura os sons
Íntimos do aconchego do profundo,
E do voo alto da gaivota
Que toma nas asas a liberdade do céu.
São segredos de Gozreh, ditos
No dialecto da onda e do marulhar,
Aqueles que a espiral guardou em si,
Junto com as correntes do mar.


Ayalal,
22.Desnus.4699

domingo, 26 de junho de 2016

Abre a mão e observa


Abre a mão e observa
Cada um dos trilhos demarcados.
É o teu mapa de hipóteses,
O teu guia de perspectivas.

Entre encruzilhadas, bifurcações,
E labirintos sem saída,
Há caminhos que, sobrepostos,
Abrem vias desconhecidas.

Planos não ponderados,
Dimensões por imaginar.
Após a escolha desse passo,
Não há passo a recuar.

Porque o passado permuta
As hipóteses que o futuro conjuga,
E o que hoje é presente
Pode nunca vir a existir.

Por isso escolhe, fecha a mão
E agarra o futuro. Segue.
Se olhares para trás, guarda a lembrança,
É tua e do que há-de vir.

Ayalal,
20.Desnus.4699

sábado, 25 de junho de 2016

Diz-me, que razão te move



“Diz-me, que razão te move,
Na saga que é a vida?”
Move-me a certeza de ver
O teu sorriso a cada dia.

“E se não houvesse sorriso
Que pudesses vislumbrar?”
Se assim fosse, mover-me-ia
A esperança de o encontrar.

“E se esse sorriso partir um dia
Para não mais voltar?”
Mover-me-ia a lembrança
De que esse sorriso morreria
Se me visse parar.

Ayalal,
03.Desnus.4699

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Efémera, a borboleta é alma


Salvador Dali

Efémera, a borboleta é alma
De sopro leve, que se eterniza
Num breve bater de asas.
Que seja o seu voo alento
De ser livre e viver.

Ayalal,
16.Gozran.4699

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Olha-me, vil demónio


Olha-me, vil demónio,
Vê o que não podes discernir
Da alma, cerne muralhado,
Sem defesas de espinhos içados,
De portões abertos, onde,
Padecendo, és incapaz entrar.
Vê, demónio, a fortaleza aberta,
Aquela que, tomada por mim,
Não irás conquistar.

Ayalal,
25.Gozran.4699

Escuta os espíritos que habitam



Escuta os espíritos que habitam
O sopro do vento.
O seu fôlego percorre as léguas
Que são composição do mundo,
E em cada uma dão fracção de si,
Tomando parte do percorrido.
Eles são memória incorpórea
Do que é esquecido mas divino.



Ayalal,
14.Gozran.4699

Há na multidão



Há na multidão
A cacofonia que a distingue: 
O clamor e o gemido,
O choro da criança,
E do descrente a prece,
Quando é milagre o intrujar;
A gargalhada que se sobrepõe
À doce lírica do riso,
E o silêncio,
Que é de tantos mas vagueia
Entre a maré, despercebido.


Ayalal,
03.Gozran.4699

terça-feira, 21 de junho de 2016

Há uma Sombra na solidão



Há uma Sombra na solidão,
Que, sem ser do corpo que a possui,
É do espírito assombração.

Quando no silêncio quedo
E me debruço de pena em mão,
Ela inclina-se e espreita
O que me vai no coração.

Escondo-o, que não o possa ver,
Abrigo-o do seu aperto
Voraz, que o quer sorver.

A pena desliza, letra a letra,
Transcrevendo do sentir, do pensar,
Aquilo que com dedos de aranha
A negra Sombra quer tomar.

No fim, apago a vela e fecho a alma,
Doa a solidão o que doer;
Que a Sombra feneça sem comer.

Ayalal,
25.Gozran.4699

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Mão na mão



Mão na mão,
Debruçados à beira-mar,
A maresia beija-nos os sentidos
Enquanto, distraídos,
Conversamos em silêncio
Com o marulhar.

Ele conta-nos as histórias
Do ir e do voltar,
E dos que não mais voltam;
Da ária da sereia que embala a onda
Para a incitar a dançar
Na tempestade que traga o céu.

No fim, o sussurro é tímido.
Fala-nos do seu amar
Por aquele que do horizonte foge
Para se pôr ao largo,
E repousar a sua vida
Nos braços do mar.

E nós contamos-lhe, sem falar,
A pequena história que existe
Somente nas mãos dadas
E no olhar que, sem palavras,
É ele próprio um mundo,
De histórias por contar.

Ayalal,
23.Pharast.4699