quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Defino-te em utopia


Defino-te em utopia,
De trejeito que é horizonte
Decidido pelo Sol
Ao seu nascer.
Da aurora tens o raiar
Que sorri na alegoria
Do cumprimento ao mundo
Tomado
Pelo despertar.

Ayalal,
18.Lamashan.4699

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Doo a vida


Doo a vida,
A quem a colher em mão
E semear na terra fértil,
Ainda que vazia,
Do mundo nascido
Em pensamento e criado
No coração.

Ayalal,
13.Lamashan.4699

Corre, de pés descalços


Corre, de pés descalços
Pisando as palavras que mordem
Da pele o inato, e esconde,
No silêncio tingido de ti,
O que não é razão.

Ayalal,
12.Lamashan.4699

sábado, 13 de agosto de 2016

Não lamentes a lágrima


Não lamentes a lágrima
Que foge ao olhar,
Aquando a tentativa
De sua prisão.
Livre, permite-lhe partir,
Libertando de ti o coração
Exausto do fingimento
De não sentir.

Ayalal,
07.Lamashan.4699

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Degustemos a companhia do céu


Degustemos a companhia do céu,
Enquanto as nuvens contam
Seus segredos ao deambular
Dos olhos que se perdem
Na imensidão
Que nos toma o ar.

Ayalal,
04.Lamashan.4699

domingo, 7 de agosto de 2016

Paremos o tempo


Paremos o tempo.
Que o Futuro seja sombra
De augúrio anónimo,
A aguardar o momento
Que nunca virá.

Nisso o Presente será
Sopro d’alento,
Que em seu sorriso tomará
A eternidade e o advento
De um sonho.

Ayalal,
27.Rova.4699

sábado, 6 de agosto de 2016

Não existe magia


Não existe magia
Nas palavras puras,
Nas runas simples
E desnudas
Que escrevo.

O encanto reserva-se
Ao fluir do desejo,
À vontade que revolve
O imo e o anseio,
E gera o fragmento
Que se avulta e enraíza
No Ser.


Ascent of the Spirit, Vladimir Kush


Ayalal,
24.Rova.4699

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A montanha ergue-se em titã


A montanha ergue-se em titã,
Emergindo em si, de raiz,
Quando seu tempo é ancião.

Ayalal,
17.Rova.4699

Empresta-me o teu espírito


Empresta-me o teu espírito
De coragem,
E a espada que empunhas
No coração.
Com ambas cruzarei as estradas,
Tão temidas,
De que se trilham os pesadelos.
E se um passo em falso
For traição,
Que o escudo seja a tua mão
Que me iça ao cair.

Ayalal,
16.Rova.4699

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fecha os olhos


Fecha os olhos
E sê de ti mesmo escuridão.
Mas, sob as pálpebras,
Guarda os resquícios que são
Memórias de luz.
Ayalal,
13.Rova.4699

domingo, 31 de julho de 2016

Mergulha no céu e toma o ar


Mergulha no céu e toma o ar
Que das asas insufla os sentidos.
Nessa dança o vento é teu par,
Em cuja ária são envolvidos 
O riso puro que é do mundo
E seu pensar, leve e profundo,
Como a modéstia de voar.

Ayalal,
09.Rova.4699

sábado, 30 de julho de 2016

O segredo que guardo


O segredo que guardo
No coração
É a ouro e prata
Debruado.
De sua riqueza,
A chave retém-se
Em minha mão,
Que mantém o segredo
Fechado
Entre a promessa
E a solidão
De não ser partilhado.
Ayalal,
30.Arodus.4699

Não os sigas sem que te vejam


Não os sigas sem que te vejam,
Mas que vejam somente a ti,
Conquanto a visão do mundo
Seja ampla só por si.

Corre em seu encalço e chama-os,
Quiçá em silêncio, para os invocar,
Com palavras mudas que são desejo
De a todos eles abarcar.

E não esqueças, no incessante fugir,
Busca-os, quando Ela os esconder,
Porque são teus os sonhos fugidios
Que em tanto temem ser.

Pois quando os esqueceres,
Quando não mais seja intenção
O perseguir, tanto eles,
Como parte de ti, morrerão.

Ayalal,
04.Rova.4699

quarta-feira, 27 de julho de 2016

As estrelas fiam os mundos


De sua luz,
As estrelas fiam os mundos
De que se veste a existência.

Ayalal,
22.Arodus.4699

terça-feira, 26 de julho de 2016

As gotas de orvalho choram das folhas


As gotas de orvalho choram das folhas
Sentidas, e do abraço que os ramos esguios
Dão à brisa que passa.

São, no erguer da alva, a lágrima caída
Da floresta que jazia adormecida
E boceja ao despertar.

Ayalal,
14.Arodus.4699

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A Noite tem em seu inato

Ophelia, Maria Spilsbury (1777-1823)

A Noite tem em seu inato
O encanto de donzela sem medo,
Que trilha o desconhecido, perdida
E de pés descalços.

O seu olhar é das estrelas
Que da imensidão perscrutam o Tudo
Da escuridão, que é o cabelo
Entrançado com o mundo.

A pele toca os detalhes, os dedos
Deslizam sobre o que não vê,
Vislumbrando de um horizonte
O não sabido pelo Dia.

E ouço-a, em sussurro, cantar, secreta
A melodia que avança, inevitável,
Até, por fim, a donzela se encontrar
No amanhecer, e desaparecer.







Ayalal,
19.Arodus.4699

domingo, 24 de julho de 2016

Quedo-me, exaurido da estrada


Quedo-me, exaurido da estrada,
E peço ao Velho Peregrino que passa
Indicação do caminho a seguir.

Em resposta, oferece-me histórias,
Porque na partilha de palavras
Há mais de mil estradas.

Ayalal,
07.Arodus.4699

sábado, 23 de julho de 2016

Não contes os dias que foram


Não contes os dias que foram,
Nem mesmo os que serão,
Porque, ao contá-los,
Perdes os dias que são.

Ayalal,
19.Erastus.4699

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Caminha sempre em frente


Caminha sempre em frente.
Que não te fiquem para trás
Os olhos, caídos.

Ayalal,
08.Erastus.4699