domingo, 20 de novembro de 2016

No céu são castelo as nuvens


No céu são castelo as nuvens
Onde os deuses urdem seus desígnios.
Em cada forma, por cada tom,
Enfuna-se o fôlego dos sentidos,
E no vento que ora inspira bonança,
Ora a tempestade que é mudança,
Há a expiração da criação.
Ayalal,
26.Kuthona.4699

domingo, 13 de novembro de 2016

Vem, debruça-te à janela


Vem, debruça-te à janela
Do mundo que evolve,
E espreita o torvelinho a ecoar
Ditames de mentes soltas
Que constrangem seu pensar.

Vai ali o taciturno de olhar caído
Na calçada que corre a estrada;
A sua vai para tornar
Ao donde não saiu, e persiste
Até passar o taciturno do meditar.

Mais à frente, aguarda o que sorri
Embustes e tece intrigas
Nas agulhas céleres do congeminar,
Vira a esquina e segue a passo o trilho
Da mente que se há-de estreitar.

Agora escuta os cascos e observa
O cavaleiro que segue a rua das restrições.
É a mais estreita a apertar,
Tanto que a luz se fina num beco
Ladrão que lhe rouba o ar.

No entanto, ali vai a liberdade.
Vê como corre, pequena e ligeira!
É senhora das ruas a abarcar,
Com seus pés indecisos que pensam
Tudo o que há a imaginar.

Salta entre avenidas, roda sobre si,
Dança com o riso, na chuva do olhar,
E, se atentares, podes vê-la voar.
Voa tanto que por vezes foge
Para as ruas do não mais voltar.

Ayalal,
23. Kuthona.4699

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Diria que o acaso


Diria que o acaso
Imita o improvável, sem imitar
Vertentes que rolam o Fado
Íngreme do desejar.
Nada é vontade, tudo são
Deuses com parte do coração
Ambíguo, alguns por habitar.
Ditam-nos sua imaginação;
Em nós há a força d'imutar.

Ayalal,
4711

Antevê-se na percepção


Antevê-se na percepção
Levada ao infindo do pressentido;
Inspira-se a flecha na visão,
Recua e aponta ao coração,
Alvo do arco flectido.

Ayalal,
4711

Deténs a dita sagacidade


Deténs a dita sagacidade,
Astúcia de si armada,
Inflectidas na vontade.
Sobre o golpe da adaga,
Urde o que será então,
Kitsune d’arma em mão
E esquartejo de espada.

Ayalal,
4711

Há persistência em seu pensar


Há persistência em seu pensar.
A força é de si intento
Levado ao destino de se alcançar.

Ayalal,
4711

domingo, 6 de novembro de 2016

É de luz que se pinta seu sorriso


É de luz que se pinta
Seu sorriso,
Uno na bondade do olhar.
Ri, criança, deixa que teu riso
Instile vida, seja magia...

E que o mundo possa conquistar.

Ayalal,
4711

sábado, 5 de novembro de 2016

A distância tem em si o apartar


A distância tem em si o apartar
Do toque.
Há, contudo, no olhar
Contemplação
Que da memória faz seu lar.

Saë sandanor*

Ayalal,
10.Kuthona.4699

*Não esqueças

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Há uma estranheza no olhar


Há uma estranheza no olhar;
Na alma evolve o contido
Que não mais se contem,
E o gesto é tremido,
Quando a palavra retém
A revolta, qual vestido
De que se traja alguém
Para com o mundo dançar.

Ayalal,
16.Kuthona.4699

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Por cada toque inusitado


Por cada toque inusitado
De teu olhar ao mundo,
Nasceu a senciência do inato
Sonho que, no profundo,
Volvia em ti.

Ayalal,
7.Kuthona.4699

sábado, 22 de outubro de 2016

Há, no marulhar


Há, no marulhar,
A saudade de ser chuva
A beijar o mar.

Mystic Sea, Maureen E. Kerstein
Ayalal,
1.Kuthona.4699

Não pendas da forca do pensar


Não pendas da forca do pensar
Que restringe as palavras.
Ordena à corda que desenlace do nó
A veracidade que opina muda
Na bravura de teu olhar,
E seja palavra que se desnuda
De preconceito e vergonha sua,
Aquando o ímpeto de falar.

Ayalal,
4.Kuthona.4699

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Desagua, ligeira


Desagua, ligeira,
Oh, foz que és mar
No impensar do rio.
Antes foste ribeira
Alegre, em fio d'estio,
E chuva, nuvem, vapor
Vago, em ti contido.
És sapiência de ciclo
Que corre ao sabor
De um suspiro.

Ayalal,
21.Neth.4699

sábado, 24 de setembro de 2016

Pinto o céu de palavras


Pinto o céu de palavras
Que se desnudam,
Sob o terno toque do vento.

Que se cubram nas nuvens,
Donde tomam o pudor
De se vestirem de chuva,

E derramem entre nós
A sonoridade de si,
Que escreve sem tinta

Nas ruas.

Ayalal,
30.Neth.4699

domingo, 18 de setembro de 2016

Sois Sol, mundo e coração


Sois Sol, mundo e coração
De cadência viva,
Inspiração
Que cogita a serena
Sinceridade do sorriso,
Enquanto sorri.

Ayalal,
26.Neth.4699

sábado, 17 de setembro de 2016

As tuas cordas choram a mágoa

Still Life with Violin, Bow and Sheet Music,
Nicholas Alden Brooks (1903)

As tuas cordas choram a mágoa
Daquele que desconhece o inato
De sua existência.

Ayalal,
08.Neth.4699

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Não roubais a senciência


Não roubais a senciência
Ao ente que de parco tem em si
A agrura que se avulta
No ponderar,

Nem a tomais do sábio,
Que se perdida, sua mão
É dada ao álgido ventre
Da lógica.

Ayalal,
15.Neth.4699

domingo, 11 de setembro de 2016

Repouso no céu o olhar


Repouso no céu o olhar,
Onde o inato detém para si
Os mundos que, ao imaginar,
A realidade tomam de mim.

Têm de vida o desconhecer,
Que evolve, sereno, longínquo,
No que vejo, sem ver,
Da existência que pressinto.

Ayalal,
07.Neth.4699

domingo, 4 de setembro de 2016

Espelha-se na tua mentira


Espelha-se na tua mentira
A verdade que nela habita,
No profundo de seu coração,
No olhar que hesita,
No trejeito,
Oh, por vezes tão perfeito
Que a suspeita é por si,
De seu jeito, revelação,
E no desígnio, que encoberto,
Tem dele o mais incerto,
E a mais pura intenção.


The Mirror, Frank Dicksee (1896)

Ayalal,
02.Neth.4699