sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O mundo


O mundo
Mimetiza o sonho de ninguém.

Porém,
É um composto de fracções
Unidas na vontade
De sonhar.

Ayalal,
15.Abadius.4700

Estranho


Estranho
Aquele que, de amável,
Doa um sorriso
D’alegria peculiar:

A que é livre e inocente,
A que, de sincera, mente
Para d'outrem receber
Um olhar que condiz
Com o que é feliz.

Estranho,
E sorrio para mim.

A Trusting Moment, Frederick Stuart Church

Ayalal,
12.Abadius.4700

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Encontrei um coração caído


Encontrei um coração caído
Na Rua de Não Ser.

O seu bater sustido
Albergava o que, escondido,
Sobrava de si.
E não havia sussurro,
Que seu espírito mudo,
Perdera-se ali.

Tomei-o na mão
E guardei-o em mim.

Transportei-o de rua em rua,
Até encontrar a sua,
Num corpo por habitar.
Porém, não mais quis partir,
Abrigara-se para não ir,
E tomara em mim um lar.

Sorri e aconcheguei-o,
Para não mais o abandonar.

Ayalal,
07.Abadius.4700

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Há na flor do campo

Spirit of Springtime, Vasily Alexandrovich Kotarbinsky

Há na flor do campo
A singela vontade, que se avulta,
De ser encanto,
Enquanto baila,
De pétalas na mão do vento,
Cintura esguia a oscilar
Ao rumor do entretanto.

Ayalal,
04.Abadius.4700

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ora ao deus que a ti não escuta


Ora ao deus que a ti não escuta,
Ora, que em teu orar,
Há do divino a força muda
De crer no acreditar.

Ayalal,
01.Abadius.4700

sábado, 26 de novembro de 2016

Esquecer


Esquecer
Para não mais lembrar
É matar
Resquícios do Ser.

Ayalal,
31.Kuthona.4699

domingo, 20 de novembro de 2016

No céu são castelo as nuvens


No céu são castelo as nuvens
Onde os deuses urdem seus desígnios.
Em cada forma, por cada tom,
Enfuna-se o fôlego dos sentidos,
E no vento que ora inspira bonança,
Ora a tempestade que é mudança,
Há a expiração da criação.
Ayalal,
26.Kuthona.4699

domingo, 13 de novembro de 2016

Vem, debruça-te à janela


Vem, debruça-te à janela
Do mundo que evolve,
E espreita o torvelinho a ecoar
Ditames de mentes soltas
Que constrangem seu pensar.

Vai ali o taciturno de olhar caído
Na calçada que corre a estrada;
A sua vai para tornar
Ao donde não saiu, e persiste
Até passar o taciturno do meditar.

Mais à frente, aguarda o que sorri
Embustes e tece intrigas
Nas agulhas céleres do congeminar,
Vira a esquina e segue a passo o trilho
Da mente que se há-de estreitar.

Agora escuta os cascos e observa
O cavaleiro que segue a rua das restrições.
É a mais estreita a apertar,
Tanto que a luz se fina num beco
Ladrão que lhe rouba o ar.

No entanto, ali vai a liberdade.
Vê como corre, pequena e ligeira!
É senhora das ruas a abarcar,
Com seus pés indecisos que pensam
Tudo o que há a imaginar.

Salta entre avenidas, roda sobre si,
Dança com o riso, na chuva do olhar,
E, se atentares, podes vê-la voar.
Voa tanto que por vezes foge
Para as ruas do não mais voltar.

Ayalal,
23. Kuthona.4699

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Diria que o acaso


Diria que o acaso
Imita o improvável, sem imitar
Vertentes que rolam o Fado
Íngreme do desejar.
Nada é vontade, tudo são
Deuses com parte do coração
Ambíguo, alguns por habitar.
Ditam-nos sua imaginação;
Em nós há a força d'imutar.

Ayalal,
4711

Antevê-se na percepção


Antevê-se na percepção
Levada ao infindo do pressentido;
Inspira-se a flecha na visão,
Recua e aponta ao coração,
Alvo do arco flectido.

Ayalal,
4711

Deténs a dita sagacidade


Deténs a dita sagacidade,
Astúcia de si armada,
Inflectidas na vontade.
Sobre o golpe da adaga,
Urde o que será então,
Kitsune d’arma em mão
E esquartejo de espada.

Ayalal,
4711

Há persistência em seu pensar


Há persistência em seu pensar.
A força é de si intento
Levado ao destino de se alcançar.

Ayalal,
4711

domingo, 6 de novembro de 2016

É de luz que se pinta seu sorriso


É de luz que se pinta
Seu sorriso,
Uno na bondade do olhar.
Ri, criança, deixa que teu riso
Instile vida, seja magia...

E que o mundo possa conquistar.

Ayalal,
4711

sábado, 5 de novembro de 2016

A distância tem em si o apartar


A distância tem em si o apartar
Do toque.
Há, contudo, no olhar
Contemplação
Que da memória faz seu lar.

Saë sandanor*

Ayalal,
10.Kuthona.4699

*Não esqueças

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Há uma estranheza no olhar


Há uma estranheza no olhar;
Na alma evolve o contido
Que não mais se contem,
E o gesto é tremido,
Quando a palavra retém
A revolta, qual vestido
De que se traja alguém
Para com o mundo dançar.

Ayalal,
16.Kuthona.4699

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Por cada toque inusitado


Por cada toque inusitado
De teu olhar ao mundo,
Nasceu a senciência do inato
Sonho que, no profundo,
Volvia em ti.

Ayalal,
7.Kuthona.4699

sábado, 22 de outubro de 2016

Há, no marulhar


Há, no marulhar,
A saudade de ser chuva
A beijar o mar.

Mystic Sea, Maureen E. Kerstein
Ayalal,
1.Kuthona.4699

Não pendas da forca do pensar


Não pendas da forca do pensar
Que restringe as palavras.
Ordena à corda que desenlace do nó
A veracidade que opina muda
Na bravura de teu olhar,
E seja palavra que se desnuda
De preconceito e vergonha sua,
Aquando o ímpeto de falar.

Ayalal,
4.Kuthona.4699

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Desagua, ligeira


Desagua, ligeira,
Oh, foz que és mar
No impensar do rio.
Antes foste ribeira
Alegre, em fio d'estio,
E chuva, nuvem, vapor
Vago, em ti contido.
És sapiência de ciclo
Que corre ao sabor
De um suspiro.

Ayalal,
21.Neth.4699