sábado, 11 de fevereiro de 2017

Troam na noite

Night Travellers at a Cross, László Mednyánszky (1880)

Troam na noite
Os espíritos dos que foram,
Mas não vão.
Retidos na recordação
E embargados
No que amaram,
Pairam
E estendem a mão
Aos que ficaram.

Ayalal,
13.Calistril.4700

Sorvo alento do sorriso

Rapture, Henry John Stock (1853–1930)

Sorvo alento do sorriso
Que se ergue da alva fresca
Para nos braços tomar
O novo dia nascente.

Ayalal,
31.Abadius.4700

Rouba da inexistência


Rouba da inexistência
A vontade de nada ser,
Para que exista nela
A tal ânsia de viver.

Rouba e guarda-a
Selada para não fugir,
Que é perene essa vontade,
A de não existir.

Que perdure o encanto,
Que a possa prender
A vontade acrescida
De poder Ser.

Ayalal,
17.Calistril.4700

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O vento chora


O vento chora a lágrima da criança
Que fugiu em seus braços,
Com a Senhora que estendeu a mão
Aos seus olhos baços.

Porém, ninguém vê ou sente,
Ninguém escuta o soluçar,
Do vento que abraça
O pequeno expirar.

Caído no frio que o toma,
O único que o quer tomar,
O vento uiva na noite
A dor do apartar.

Ayalal,
16.Calistril.4700

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Há na luz a sapiência


Há na luz a sapiência
De como cerziu o Sol
A essência
Que te alumia.

Ayalal,
27.Abadius.4700

Exaurido, o rio expira

Fog on the Lake, Debra Krakow

Exaurido,
O rio expira a bruma
Do curso que corre em busca
Da una parte que se afasta,
Sem se apartar.

Contudo,
O seu suspiro perde-se
No inspirar de quem o vê partir,
E (a)guarda em seu seio
O eterno retornar.

Ayalal,
10.Calistril.4700

sábado, 28 de janeiro de 2017

Despe-te do preconceito


Despe-te do preconceito,
Esse traje d'esgar
Cerzido em espinhos,
E passeia nu
Com a nudez dos espíritos
Que se despem,
Como tu,
Do julgar incontido
De quem não pondera.

Ayalal,
02.Calistril.4700

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Não esperes pelo amanhã


Não esperes pelo amanhã,
Que o amanhã inspira
O eterno esperar.
Toma o hoje de essência;
Que cada fracção esguia
Seja molde
Do teu próprio Sol,
O delineado da acção
Que move o pulsar,
E pinta o inato
Do tom exacto
Que é o teu imaginar.

Ayalal,
30.Abadius.4700

domingo, 22 de janeiro de 2017

Toma em fogo as rédeas


Candle, Vladimir Kush

Toma em fogo as rédeas.
Que arda o couro que apreende a vontade,
E sejas livre de coração.

Ayalal,
19.Abadius.4700

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O peito que não bate


O peito que não bate
Embebe o frio.
Porém, parado,
Inspira-lhe o coração
Malvado,
O desejo de ser vivo.

Ayalal,
23.Abadius.4700

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

És desenhado a poesia


És desenhado a poesia
Lírica, delicado
O traço que te contorna
O céu do olhar.
Viva, a rima sorri
Em ti a alegria
Que não é fingida,
E o verso arrepia-se
Ao grácil movimento
Do declamar.

Ayalal,
26.Abadius.4700

domingo, 1 de janeiro de 2017

Pinta o céu de noite fresca


Pinta o céu de noite fresca,
Deixando que a utopia
Seja pincel,
E o dourado seus salpicos
Que do inalcançável
Alcançam os que vivos
Almejam ser
A tinta de cor por saber
Que pinta o Mundo.

Ayalal,
22.Abadius.4700

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Passeiam de mão dada


Passeiam de mão dada,
Os olhares que não se cruzam…
Não existem olhos a cruzar.
Há cegueira em seu passeio,
E no toque que é permeio
Da palavra amar.

Ayalal,
18.Abadius.4700

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O Mundo escreve

Timepiece, ©2012 Stephanie Pui-Mun Law

O Mundo escreve, em tinta
Que o olhar não vê,
A História do caminhar do Tempo,
A cada passo, onde é infinda
A inspiração da vida e do fenecer.


Ayalal,
15.Abadius.4700

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O mundo


O mundo
Mimetiza o sonho de ninguém.

Porém,
É um composto de fracções
Unidas na vontade
De sonhar.

Ayalal,
15.Abadius.4700

Estranho


Estranho
Aquele que, de amável,
Doa um sorriso
D’alegria peculiar:

A que é livre e inocente,
A que, de sincera, mente
Para d'outrem receber
Um olhar que condiz
Com o que é feliz.

Estranho,
E sorrio para mim.

A Trusting Moment, Frederick Stuart Church

Ayalal,
12.Abadius.4700

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Encontrei um coração caído


Encontrei um coração caído
Na Rua de Não Ser.

O seu bater sustido
Albergava o que, escondido,
Sobrava de si.
E não havia sussurro,
Que seu espírito mudo,
Perdera-se ali.

Tomei-o na mão
E guardei-o em mim.

Transportei-o de rua em rua,
Até encontrar a sua,
Num corpo por habitar.
Porém, não mais quis partir,
Abrigara-se para não ir,
E tomara em mim um lar.

Sorri e aconcheguei-o,
Para não mais o abandonar.

Ayalal,
07.Abadius.4700

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Há na flor do campo

Spirit of Springtime, Vasily Alexandrovich Kotarbinsky

Há na flor do campo
A singela vontade, que se avulta,
De ser encanto,
Enquanto baila,
De pétalas na mão do vento,
Cintura esguia a oscilar
Ao rumor do entretanto.

Ayalal,
04.Abadius.4700

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ora ao deus que a ti não escuta


Ora ao deus que a ti não escuta,
Ora, que em teu orar,
Há do divino a força muda
De crer no acreditar.

Ayalal,
01.Abadius.4700