quarta-feira, 8 de março de 2017

Ontem não vivi


Ontem não vivi.
Caminhei morto na sombra
Que se vergava ao dia
E fugia de si.

Ayalal,
27.Calistril.4700

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Não aceites a vontade


Não aceites a vontade
Cujo sentido trespassa a verdade
Com a falácia de ser verdadeiro.


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Há sorrisos que despontam


Há sorrisos que despontam
Das lágrimas que semeiam
Alento.

Ayalal,
22.Calistril.2700

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Prefiro morrer


Prefiro morrer
A perder a vida que desenho
Em linha tosca de carvão,
A mesma que teu pincel
Preenche e pinta de pigmentos
Que permutam no mural
Do coração.

Ayalal,
27.Calistril.4700

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eis caído o céu


Eis caído o céu, 
Quando em si o Sol chorou 
A distância que o aparta 
De seu amor. 

Toca-o a memória do luar, 
Doce e efémero, 
E o silêncio que é triste 
Melodia.

Ayalal,
25.Calistril.4700

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Não existe fim no finito


Não existe fim no finito
E o finito mente quando diz
Que em si existe um fim.
A nós mentimos sem pensar,
Ao imaginá-lo assim,
De termo constrito,
Quando é contínuo e circular,
Quando é indistinto
E quando a distinção
Ludibria o sentido,
Sendo somente ilusão
Que nos tenta enganar.

Ayalal,
20.Calistril.4700

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Troam na noite

Night Travellers at a Cross, László Mednyánszky (1880)

Troam na noite
Os espíritos dos que foram,
Mas não vão.
Retidos na recordação
E embargados
No que amaram,
Pairam
E estendem a mão
Aos que ficaram.

Ayalal,
13.Calistril.4700

Sorvo alento do sorriso

Rapture, Henry John Stock (1853–1930)

Sorvo alento do sorriso
Que se ergue da alva fresca
Para nos braços tomar
O novo dia nascente.

Ayalal,
31.Abadius.4700

Rouba da inexistência


Rouba da inexistência
A vontade de nada ser,
Para que exista nela
A tal ânsia de viver.

Rouba e guarda-a
Selada para não fugir,
Que é perene essa vontade,
A de não existir.

Que perdure o encanto,
Que a possa prender
A vontade acrescida
De poder Ser.

Ayalal,
17.Calistril.4700

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O vento chora


O vento chora a lágrima da criança
Que fugiu em seus braços,
Com a Senhora que estendeu a mão
Aos seus olhos baços.

Porém, ninguém vê ou sente,
Ninguém escuta o soluçar,
Do vento que abraça
O pequeno expirar.

Caído no frio que o toma,
O único que o quer tomar,
O vento uiva na noite
A dor do apartar.

Ayalal,
16.Calistril.4700

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Há na luz a sapiência


Há na luz a sapiência
De como cerziu o Sol
A essência
Que te alumia.

Ayalal,
27.Abadius.4700

Exaurido, o rio expira

Fog on the Lake, Debra Krakow

Exaurido,
O rio expira a bruma
Do curso que corre em busca
Da una parte que se afasta,
Sem se apartar.

Contudo,
O seu suspiro perde-se
No inspirar de quem o vê partir,
E (a)guarda em seu seio
O eterno retornar.

Ayalal,
10.Calistril.4700

sábado, 28 de janeiro de 2017

Despe-te do preconceito


Despe-te do preconceito,
Esse traje d'esgar
Cerzido em espinhos,
E passeia nu
Com a nudez dos espíritos
Que se despem,
Como tu,
Do julgar incontido
De quem não pondera.

Ayalal,
02.Calistril.4700

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Não esperes pelo amanhã


Não esperes pelo amanhã,
Que o amanhã inspira
O eterno esperar.
Toma o hoje de essência;
Que cada fracção esguia
Seja molde
Do teu próprio Sol,
O delineado da acção
Que move o pulsar,
E pinta o inato
Do tom exacto
Que é o teu imaginar.

Ayalal,
30.Abadius.4700

domingo, 22 de janeiro de 2017

Toma em fogo as rédeas


Candle, Vladimir Kush

Toma em fogo as rédeas.
Que arda o couro que apreende a vontade,
E sejas livre de coração.

Ayalal,
19.Abadius.4700

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O peito que não bate


O peito que não bate
Embebe o frio.
Porém, parado,
Inspira-lhe o coração
Malvado,
O desejo de ser vivo.

Ayalal,
23.Abadius.4700

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

És desenhado a poesia


És desenhado a poesia
Lírica, delicado
O traço que te contorna
O céu do olhar.
Viva, a rima sorri
Em ti a alegria
Que não é fingida,
E o verso arrepia-se
Ao grácil movimento
Do declamar.

Ayalal,
26.Abadius.4700

domingo, 1 de janeiro de 2017

Pinta o céu de noite fresca


Pinta o céu de noite fresca,
Deixando que a utopia
Seja pincel,
E o dourado seus salpicos
Que do inalcançável
Alcançam os que vivos
Almejam ser
A tinta de cor por saber
Que pinta o Mundo.

Ayalal,
22.Abadius.4700

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Passeiam de mão dada


Passeiam de mão dada,
Os olhares que não se cruzam…
Não existem olhos a cruzar.
Há cegueira em seu passeio,
E no toque que é permeio
Da palavra amar.

Ayalal,
18.Abadius.4700