terça-feira, 20 de outubro de 2009

Deus das Alturas


God of Thunder, by Suirebit

Do Nunca era aquele que se perdeu
Lá em manhãs de gelo áureo.
Acerbo de paladar corpóreo,
No tinir álgido de pedra dura.
Sendo ele o que ficou tisnado
De fogo em frio, assim queimado,
Lá no Nunca das Alturas.

Que quem o via bem dizia
“Ai de nós, que se nos dissolve o pranto,
Do peito caído, de coração aberto”,
Conquanto se queda desta altura,
E demorada a queda é vontade
O voar plúmbeo da verdade
Viva se vã que das alturas o esconjura.

Mas ele não cai, é perene ao frio
E do vento irmão de comunhão sagrada.
É sabido assim deus do que foi,
Do Nunca que um dia marchou
Nas alturas do devaneio em vida,
Real ventura a que foi um dia
E que ao largo em si ancorou.

Então, aqui fica a lenda,
Dos que ascenderam e tombaram.
Fica, mas não se esvai,
Que o almejar é perpétuo querer
O de um dia esse deus despertar,
E ao seu povo dormente retornar,
Das alturas a que se elevou ao morrer.

Dedicado a'O Bar do Ossian

6 comentários:

Kath disse...

Ultimamente não consigo escrever nada e tu escreves sempre e tão bem. É injusto!

Leto of the Crows disse...

Não é nada do que dizes! Tu escreves mui melhor que eu! ^^

Brid disse...

Mesmo lindo *.*

Eu quero ver quando é que me dedicas um poema :P

Afonso disse...

Quando deixas de escrever poesia genial como esta? xD
Linda como sempre :)

"Do Nunca era aquele que se perdeu
Lá em manhãs de gelo áureo.
Acerbo de paladar corpóreo,
No tinir álgido de pedra dura."

Destaco esta parte pela expressividade.

Beijinho.

Afonso disse...

Distingui-te no meu blog. Não precisas colar selo, nem fazer nenhum jogo. Mereceste o prémio, simplesmente :)

Leto of the Crows disse...

Muito obrigada, Afonso ^^
_______

Vá, Fifi, eu dedico-te um poema quando fizeres anos :P