quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Ergue, em pergaminho antigo


Ergue, em pergaminho antigo,
O barco que navegará o mar
De cada folha, cruzando ondas
De frases ignotas, para aportar
No parágrafo que é, de intento,
Um livro descoberto a findar.

Ayalal,
21.Lamashan.4699

domingo, 21 de agosto de 2016

Rasga o céu


Rasga o céu e silencia
A pequenez do mundo
Que se recusa a ouvir.
Sê da natura força rosnar
Do ímpeto que a acomete,
Selvagem, senhora do tudo,
E senhora de si.

Que te venerem, venerando-se,
De respeito em punho,
Igual por igual, que somos
Parte de um todo, complexo
Uno que se quer partir.
Tempestade, rasga o céu e alumia
A pequena mente dessa parte de ti.


Miranda -The Tempest, J.W. Waterhouse (1916)

Ayalal,
31.Lamashan.4699

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Há quem nasça no dia de não Ser


Há quem nasça
No dia de não Ser,
Quando no céu
As estrelas se apagam
Para não ver
A pequena mão
Estendida da inocência
Do nascer.

O choro é alto, porém
Apagado p'lo não querer
Ouvir, os dedos
Esfria sob o álgido
Do dessaber,
Escondendo o olhar
No não mais acordar
Do adormecer.

Ayalal,
26.Lamashan.4699

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Defino-te em utopia


Defino-te em utopia,
De trejeito que é horizonte
Decidido pelo Sol
Ao seu nascer.
Da aurora tens o raiar
Que sorrie na alegoria
Do cumprimento ao mundo
Tomado
Pelo despertar.

Ayalal,
18.Lamashan.4699

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Doo a vida


Doo a vida,
A quem a colher em mão
E semear na terra fértil,
Ainda que vazia,
Do mundo nascido
Em pensamento e criado
No coração.

Ayalal,
13.Lamashan.4699

Corre, de pés descalços


Corre, de pés descalços
Pisando as palavras que mordem
Da pele o inato, e esconde,
No silêncio tingido de ti,
O que não é razão.

Ayalal,
12.Lamashan.4699

sábado, 13 de agosto de 2016

Não lamentes a lágrima


Não lamentes a lágrima
Que foge ao olhar,
Aquando a tentativa
De sua prisão.
Livre, permite-lhe partir,
Libertando de ti o coração
Exausto do fingimento
De não sentir.

Ayalal,
07.Lamashan.4699

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Degustemos a companhia do céu


Degustemos a companhia do céu,
Enquanto as nuvens contam
Seus segredos ao deambular
Dos olhos que se perdem
Na imensidão
Que nos toma o ar.

Ayalal,
04.Lamashan.4699

domingo, 7 de agosto de 2016

Paremos o tempo


Paremos o tempo.
Que o Futuro seja sombra
De augúrio anónimo,
A aguardar o momento
Que nunca virá.

Nisso o Presente será
Sopro d’alento,
Que em seu sorriso tomará
A eternidade e o advento
De um sonho.

Ayalal,
27.Rova.4699

sábado, 6 de agosto de 2016

Não existe magia


Não existe magia
Nas palavras puras,
Nas runas simples
E desnudas
Que escrevo.

O encanto reserva-se
Ao fluir do desejo,
À vontade que revolve
O imo e o anseio,
E gera o fragmento
Que se avulta e enraíza
No Ser.


Ascent of the Spirit, Vladimir Kush


Ayalal,
24.Rova.4699

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A montanha ergue-se em titã


A montanha ergue-se em titã,
Emergindo em si, de raiz,
Quando seu tempo é ancião.

Ayalal,
17.Rova.4699

Empresta-me o teu espírito


Empresta-me o teu espírito
De coragem,
E a espada que empunhas
No coração.
Com ambas cruzarei as estradas,
Tão temidas,
De que se trilham os pesadelos.
E se um passo em falso
For traição,
Que o escudo seja a tua mão
Que me iça ao cair.

Ayalal,
16.Rova.4699

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fecha os olhos


Fecha os olhos
E sê de ti mesmo escuridão.
Mas, sob as pálpebras,
Guarda os resquícios que são
Memórias de luz.
Ayalal,
13.Rova.4699

domingo, 31 de julho de 2016

Mergulha no céu e toma o ar


Mergulha no céu e toma o ar
Que das asas insufla os sentidos.
Nessa dança o vento é teu par,
Em cuja ária são envolvidos 
O riso puro que é do mundo
E seu pensar, leve e profundo,
Como a modéstia de voar.

Ayalal,
09.Rova.4699

sábado, 30 de julho de 2016

O segredo que guardo


O segredo que guardo
No coração
É a ouro e prata
Debruado.
De sua riqueza,
A chave retém-se
Em minha mão,
Que mantém o segredo
Fechado
Entre a promessa
E a solidão
De não ser partilhado.
Ayalal,
30.Arodus.4699

Não os sigas sem que te vejam


Não os sigas sem que te vejam,
Mas que vejam somente a ti,
Conquanto a visão do mundo
Seja ampla só por si.

Corre em seu encalço e chama-os,
Quiçá em silêncio, para os invocar,
Com palavras mudas que são desejo
De a todos eles abarcar.

E não esqueças, no incessante fugir,
Busca-os, quando Ela os esconder,
Porque são teus os sonhos fugidios
Que em tanto temem ser.

Pois quando os esqueceres,
Quando não mais seja intenção
O perseguir, tanto eles,
Como parte de ti, morrerão.

Ayalal,
04.Rova.4699

quarta-feira, 27 de julho de 2016

As estrelas fiam os mundos


De sua luz,
As estrelas fiam os mundos
De que se veste a existência.

Ayalal,
22.Arodus.4699

terça-feira, 26 de julho de 2016

As gotas de orvalho choram das folhas


As gotas de orvalho choram das folhas
Sentidas, e do abraço que os ramos esguios
Dão à brisa que passa.

São, no erguer da alva, a lágrima caída
Da floresta que jazia adormecida
E boceja ao despertar.

Ayalal,
14.Arodus.4699

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A Noite tem em seu inato

Ophelia, Maria Spilsbury (1777-1823)

A Noite tem em seu inato
O encanto de donzela sem medo,
Que trilha o desconhecido, perdida
E de pés descalços.

O seu olhar é das estrelas
Que da imensidão perscrutam o Tudo
Da escuridão, que é o cabelo
Entrançado com o mundo.

A pele toca os detalhes, os dedos
Deslizam sobre o que não vê,
Vislumbrando de um horizonte
O não sabido pelo Dia.

E ouço-a, em sussurro, cantar, secreta
A melodia que avança, inevitável,
Até, por fim, a donzela se encontrar
No amanhecer, e desaparecer.







Ayalal,
19.Arodus.4699