sábado, 14 de outubro de 2017

Escrevi em tinta de nada


Escrevi em tinta de nada
E tornei vazia
A caligrafia
Do sonho d’amanhã.

Em mim
Não irás ler almejo,
Nem mesmo o desejo
De te matar.

*

I wrote in ink of nothing
And made empty
The calligraphy
Of tomorrow's dream.

In me
You will not read craving,
Not even the hankering
To kill you.

Ayalal,
28.Desnus.4711

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Dá-me a mão


Dá-me a mão.
Dancemos sob a chuva do passado
Que fria se condensa
No coração.

*

Give me your hand.
Let's dance under the rain of the past
That coldly condenses
In the heart.

Ayalal,
20.Desnus.4711

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Ao nascer


Ao nascer há em ti
Uma caixa vazia.
Nela não guardarás a vida,
Mas o molde d’anamnesia
Do que é viver.

*

At birth there is in you
An empty box.
You will not keep life in it,
But the anamnesis mold
Of what is to live.

Ayalal,
17.Desnus.4711

sábado, 7 de outubro de 2017

Sem palavras


Sem palavras,
Ele chora
As folhas caídas
Do Outono.

*

Without words,
It weeps
The fallen autumn
Leaves.

Ayalal,
12.Desnus.4711

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

There are things we believe in


There are things we believe in,
And things we don’t believe in at all;
At the end, believing is a sin
That hurts more than the truth
Where we all fall.

*

Existe aquilo em que se crê,
E o que não se crê de todo.
No fim, a crença é pecado
Que dói mais que a verdade
Na qual tombamos.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

O que é a luz na escuridão?


O que é a luz na escuridão?
É inspiração
Que oferta seu raiar.
Quiçá nos estenda a mão,
Quiçá seja sua a intenção
De nos matar.

Ayalal,
09.Desnus.4711

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Despojo-me de mim


Despojo-me de mim.
Sou livre,
Na consciência de nada ser.

*

I deprive me of myself.
I’m free,
In the conscience of being nothing.


Ayalal,
02.Desnus.4711

domingo, 23 de julho de 2017

Recordo a tua alegria


Recordo a tua alegria
Com a dor que atenta
Contra mim e ludibria
A sanidade;

Recordo o teu sorrir,
Tão puro
E sem de si fingir,
Que me oferecia o Sol;

Recordo o toque morno
Do abraço que detinha
Mundo e sonho
Que se esvaiu.

E choro...
Choro a cada dia fugidio,
Ao qual imploro
Por ti.
Ayalal,
28.Gozran.4711

terça-feira, 18 de julho de 2017

Há, sob meus pés


Há, sob meus pés,
Um trilho trôpego que descalço
Se palmilha em busca de mim.
Desconheço o rumo que segue;
Quiçá me encontre no fim.


June in the Austrian Tyrol, John MacWhiter (1892)


Ayalal,
25.Gozran.4711

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A ausência remexe-se


A ausência remexe-se 
E rouba o fôlego do que é vivo, 
Rouba, com um sorriso 
Que rasga o peito, 
Em seu vil trejeito 
D’agrado entristecido.

*

Absence fidgets and steals
The breath of what is alive,
It steals, with a smile
That tears the breast,
In its vile grimace
Of sorrowful pleasure.

Ayalal,
20.Gozran.4711

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Há o esquecer


Há o esquecer
E o esquecido,
E o recordar
Daquilo que no tempo
É volvido.

Ayalal,
13.Gozran.4711

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Há mortos que vivem


Há mortos que vivem
No horizonte de um olhar cego,
Acomodados nas montanhas
De cumes pensados
E sopés esquecidos,
Envelhecendo e extinguindo
O Tempo na Eternidade.

Ayalal,
14.Gozran.4711

domingo, 25 de junho de 2017

Fantasma de ninguém


Hoje falei
Com o fantasma de ninguém.
De si consumia
A solidão do que não mais havia
No existir.

Porém não era sua a inexistência,
Conquanto a persistência
De a obter.
“Somos eternos”, acabei por dizer;
Não aceitou.

“Há na distância
O início que reencontra a infância
Do Mundo,
A do seu inato fecundo,
Cerne de nós”.

Ele hesitou,
“Mas não há ninguém no que sou”.
O rumorejar
Ecoou na floresta, na terra, no ar,
Infindo.

Sorri,
“Há um pouco de tudo em ti”.
Abarquei no olhar
O horizonte que havia a explorar,
Desconhecido.

Ele sorriu também
E partiu para ser alguém,
E conhecer
O que o Mundo poderia ter
De si.

Three of Wands, ©Stephanie Pui-Mun Law, 2004-2010

Ayalal,
10.Gozran.4711

sábado, 10 de junho de 2017

As voltas e revoltas do espírito


As voltas e revoltas do espírito
Evolvem com a vivência
Da lembrança e do sorriso
Que desfolham a mágoa.

Ayalal,
5.Gozran.4711

sábado, 3 de junho de 2017

Escuto o choro de uma criança


Escuto o choro de uma criança
À beira da estrada caído.
Quebrou-se,
Quando era ainda sorriso
A aprender o trejeito de ser.

Ayalal,
2.Gozran.4711

domingo, 21 de maio de 2017

Há um cansaço


Há um cansaço
Que escava e mói
A vontade,
Uma fadiga densa
Que devora
Com seu suspiro,
Até ser vazio
O interior de quem jaz
Morto, ainda vivo.

Ayalal,
30.Pharast.4711

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Há um fim


Há um fim
Que o espírito ampara,
Na consciência de si,
Um término que recomeça
No abraço
Do mundo a quem nasceu
E partiu.

Ayalal,
26.Pharast.4711

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Há um lamento


Há um lamento
Que ecoa no espírito
Do vento,
Um murmúrio que ele canta,
E em seu escutar
Sente-se do segredo o intento
Da dor que é alento
E amar.

Ayalal,
23.Pharast.4711

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Persegue-me


Persegue-me
O pensamento que é infindo,
Tingindo
A perpétua cadência
Da lágrima.

Ayalal,
07.Pharast.4711