domingo, 25 de junho de 2017

Fantasma de ninguém


Hoje falei
Com o fantasma de ninguém.
De si consumia
A solidão do que não mais havia
No existir.

Porém não era sua a inexistência,
Conquanto a persistência
De a obter.
“Somos eternos”, acabei por dizer;
Não aceitou.

“Há na distância
O início que reencontra a infância
Do Mundo,
A do seu inato fecundo,
Cerne de nós”.

Ele hesitou,
“Mas não há ninguém no que sou”.
O rumorejar
Ecoou na floresta, na terra, no ar,
Infindo.

Sorri,
“Há um pouco de tudo em ti”.
Abarquei no olhar
O horizonte que havia a explorar,
Desconhecido.

Ele sorriu também
E partiu para ser alguém,
E conhecer
O que o Mundo poderia ter
De si.

Three of Wands, ©Stephanie Pui-Mun Law, 2004-2010

Ayalal,
10.Gozran.4711

sábado, 10 de junho de 2017

As voltas e revoltas do espírito


As voltas e revoltas do espírito
Evolvem com a vivência
Da lembrança e do sorriso
Que desfolham a mágoa.

Ayalal,
5.Gozran.4711

sábado, 3 de junho de 2017

Escuto o choro de uma criança


Escuto o choro de uma criança
À beira da estrada caído.
Quebrou-se,
Quando era ainda sorriso
A aprender o trejeito de ser.

Ayalal,
2.Gozran.4711

domingo, 21 de maio de 2017

Há um cansaço


Há um cansaço
Que escava e mói
A vontade,
Uma fadiga densa
Que devora
Com seu suspiro,
Até ser vazio
O interior de quem jaz
Morto, ainda vivo.

Ayalal,
30.Pharast.4711

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Há um fim


Há um fim
Que o espírito ampara,
Na consciência de si,
Um término que recomeça
No abraço
Do mundo a quem nasceu
E partiu.

Ayalal,
26.Pharast.4711

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Há um lamento


Há um lamento
Que ecoa no espírito
Do vento,
Um murmúrio que ele canta,
E em seu escutar
Sente-se do segredo o intento
Da dor que é alento
E amar.

Ayalal,
23.Pharast.4711

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Persegue-me


Persegue-me
O pensamento que é infindo,
Tingindo
A perpétua cadência
Da lágrima.

Ayalal,
07.Pharast.4711

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A morte tem


A morte tem
Um gosto a desdém
Que entoa na alma o desejo
De ser oca
Para não sentir.

Ayalal,
02.Pharast.4711

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Doravante chamemos ao pensamento


Doravante chamemos ao pensamento
A casa que nos habita
No acolher de nós mesmos.

Ayalal,
27.Calistril.4711

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Herói


Herói
É o que conquista,
De gume embainhado,
A inspiração e o sorriso
Inusitado,
O que combate
Contorcer que é esgar
A deformar
Este espírito contido,
E lhe salva o sentido
De existir.

Ayalal,
30.Gozran.4700

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sentado na amurada do mundo


Sentado na amurada do mundo,
Retorno ao silêncio para escutar,
Longínquo, o mar
Que revolve em si as praias
De cada um.

Oiço a maré, que vai e vem,
Cada onda que grita,
Ou hesita
Em tomar da areia
Um grão de pensamento.

Quedo, permito-me ser oceano,
E vogar num instante
O Inconstante
Que muta na maresia
Do que é Tudo.

Miranda, John William Waterhouse (1875)
Ayalal,
02.Desnus.4700

domingo, 2 de abril de 2017

Os sonhos são flores efémeras

Meadow, Anna Billing (1849 - 1927)

Os sonhos são flores efémeras
Que colhes, sorrindo.

Ayalal,
07.Desnus.4700

sábado, 1 de abril de 2017

Recomeço, na vaga de luz


Recomeço, na vaga de luz
Que toma o dia
No nascimento de si.

Ayalal,
26.Gozran.4700

Vê de que forma é perfeita


Vê de que forma é perfeita
A imperfeição.
Há beleza naquele detalhe
De incerteza
Com que a moldou
A Criação.

Ayalal,
23.Gozran.4700

terça-feira, 28 de março de 2017

Desembainha a pena


Desembainha a pena
E trespassa
A folha que te retém,
Ferindo-a com a palavra,
E tornando-a refém
Do pensamento.

Ayalal,
17.Gozran.4700

segunda-feira, 27 de março de 2017

Dói-me a lágrima


Dói-me a lágrima
Que espreita de teu olhar
Sem nunca cair.

Dói-me o sorriso
Que disfarçado de alegria
Jamais vacila.

Dói-me ver
A verdade subtil
Que se esconde na mentira.

Dói-me, e cinjo
Ao peito o estremecer
Em ti contido.

Ayalal,
12.Gozran.4700

domingo, 26 de março de 2017

Mais além há o mundo


Mais além há o mundo
Que sussurra curiosidade
Ao que o imagina.
Não escutas dele
O inexplicável que apela
À tua ida?
Toma o seu encanto
Na tua vontade
E parte
Com a despedida.


A Grand View of the Sea Shore, Claude-Joseph Vernet (1776)

Ayalal,
07.Gozran.4700

sexta-feira, 24 de março de 2017

Se é eterno o esquecimento


Se é eterno o esquecimento,
Bane-se a existência
Para o não existir.

Ayalal,
02.Gozran.4700

terça-feira, 21 de março de 2017

Escrevo, para reescrever


Escrevo, para reescrever
O olhar de quem vislumbra
O mundo,
De alma repartida
No contínuo do verso.

Ayalal,
31.Pharast.4700