domingo, 20 de janeiro de 2019

Tentei falar com a incerteza


Tentei falar com a incerteza,
Mas as palavras duvidaram de si,
Como quem duvida da certeza
De existir.

*

I tried to speak with the uncertainty,
But the words doubted themselves,
As who doubts the certainty
Of existance.

Ayalal,
22.Sarenith.4711

sábado, 19 de janeiro de 2019

Tomei o veneno da mágoa


Tomei o veneno da mágoa 
E de mim adoeceu a alma. 

Tingi-me do negro da peste 
Pintada de um febril cansaço, 
E tremi com a dor crescente, 
Tumor senciente, 
E estilhaço. 

Sepultei a razão,
Na cova que era o mundo.

*

I took sorrow’s poison
And ill my soul became.

I dyed myself in the black of plague
Painted of a feverish weariness,
And trembled with the growing pain,
Sentient tumor,
And shard.

I buried reason
In the grave that was the world.

Ayalal,
21.Sarenith.4711

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A Vida fala-nos sobre a morte


A Vida fala-nos sobre a morte 
Da cobardia, 
E do definhar do medo 
De viver. 

*

Life speaks about the death 
Of cowardice, 
And the languishing of the fear 
Of living.

Ayalal,
19.Sarenith.4711

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Por vezes, canso-me de estar vivo


Acheron, Reinhold Kukla (1902)

Por vezes, canso-me de estar vivo
E sigo em passo incerto,
No limiar do crepúsculo que me estende a mão
E do sussurro da escuridão.

Vejo, no entanto caminho cego,
E a cada dia aguardo o amanhecer;
Tanto aguardo, que por vezes meu coração
Sente que aguarda em vão.

Porém, nunca paro.
Ela segue diante de mim,
Inspirando a vontade e prostrando a hesitação;
É à Esperança que dou a mão.

*

Sometimes I get tired of being alive
And I walk in uncertain step,
On the threshold of twilight that reaches out to me
And the whisper of darkness.

I see, but I walk blind,
And every day I wait for dawn;
I wait so long that sometimes
My heart feels that it vainly waits.

However I never rest,
Because It follows before me,
Inspiring the will and prostrating the hesitation;
It is to Hope that I give my hand.

Ayalal,
18.Sarenith.4711

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Oiço da insensatez o eco


Oiço da insensatez o eco 
Que entoa na memória… 
E silencio-o. Serei cego 
Àquela voz, de Vós, 
Que declama a vontade, 
E não verei
Amarga a saudade 
Que seduz.

Ayalal,
28, Arodus, 4711

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Oiço vozes de ninguém


Oiço vozes de ninguém,
Ao apagar a luz
Do olhar.
Oiço-as chamar,
Gritam,
E só de mim responde
O intangível
Escutar.

Bebo o eco da sua dor.
Consumo
Cada detalhe que se contorce,
Cada vestígio, cada suplício,
Cada suspiro sem ar,
E torno-os no rio
Que só na lágrima poderá
Desaguar.

*

I hear voices from no-one,
When I erase the light
From sight.
I hear them call,
They scream,
And only I answer
With intangible 
Listening.

I drink the echo of their pain.
I consume
Every detail that writhes,
Every vestige, every torment,
Every breathless sigh,
And turn them into the river
That only tears
Can drain.

Ayalal,
17, Sarenith, 4711

domingo, 23 de setembro de 2018

Pinta a noite com a essência dos sonhos


Pinta a noite com a essência dos sonhos 
E liberta-te no céu d’aguarela, 
Onde é teu o pincel e as tintas são 
Fragmentos de coração. 

*

Paint the night with the essence of dreams 
And free yourself in the sky of watercolor, 
Where the brush is yours and the inks are 
Fragments of heart.

Ayalal,
16.Sarenith.4711

terça-feira, 24 de julho de 2018

O sol nasceu álgido



O sol nasceu álgido.
São dedos defuntos
O seu raiar,
E o seu toque é o do morto
Que quer viver
Sem vivo estar.

*

The sun rose algid.
Its light is lifeless fingers,
And the touch is that of the dead
Who wants to live
Without being alive.


Hurad Duruvan

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Quem Sou?


Quem sou?
A Morte vestida de mim,
Em trajes de cerimónia;
Sou carne morta
E inspiração vazia
De peito aberto.

*

Who am I?
Death dressed in myself,
in formal attire;
I am dead flesh
and empty inspiration 
with an open chest.

Ayalal,
14.Sarenith.4711

sábado, 2 de junho de 2018

Espero o tempo que esperar


Espero o tempo que esperar,
Porém não espera o Tempo,
Pelo tempo que há a passar.

Ele passeia como quem corre
À pressa na corrida
Do que morre;

Mas não morre o findar,
Nem finda o término
Do que há a terminar.

*

I wait as long as I wait,
But Time does not wait,
For the time there is to pass.

It walks as one rushes
In the race of what dies;

But the end does not die,
Nor does the end arrive
Of what there is to finish.
Ayalal,
13.Sarenith.4711

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O Passado retém a alma


O Passado retém a alma, 
Que o Futuro é incapaz de conquistar.
Com ela transcreve um Presente 
Que decai quebrado
E geme a mágoa,
Enquanto a torna veneno.

Mas que direito tem o Passado 
De navegar
Nas águas da memória 
Onde a quer afogar?
Que direito tem de ser rei 
Daquilo que não é seu?
Porque é minha a alma, 
Não sua. Dito eu
O que é Presente e o que será 
Futuro.

*

Past retains the soul,
That Future is unable to conquer.
With it It transcribes a Present
That decays, broken
And It moans the sorrow,
While it becomes poison.

But what right has Past
To navigate in the waters
Of memory
Where It wants to drown it?
What right does It has to be king
Of what is not His?
Because it’s mine, the soul,
Not His. I dictate
What is Present and what Future
Will be.

Ayalal,
10.Arodus.4711

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O que é "Ser"?


O que é “Ser”?
É ser e não ser,
É ter
O que de si parece
Sem ser e ser
O que não é
Ditado à fé
Do parecer.

Ayalal,
12.Sarenith.4711

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Quando o céu é feito de chuva


Quando o céu é feito de chuva,
Converso com as gotas que caem.

O seu delinear embebe as palavras
E derrama-as no mundo
Para serem eternas.

*

When the sky is made of rain,
I talk with the drops that fall.

Their outline imbues the words
And pours them into the world
To be eternal.

Ayalal,
11.Sarenith.4711

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Com um trejeito que abarca o mundo


Com um trejeito que abarca o mundo
Amparo a vida. Trémula,
Ela derrapa nas incongruências
De que é feito o senciente,
E a consciência pesa quando não há
Peso a sopesar.

*

With an expression that covers the world,
I sustain life. Tremulous,
It slithers in the incongruities
Of which the sentient is made,
And consciousness weighs when there isn’t
Weight to weigh.

Ayalal,
09.Sarenith.4711

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A vida


A vida
Não é brisa,
Que a brisa é eterna.
A vida é um sopro
Que a alma expira
À despedida.


Life
Is not a breeze,
The breeze is eternal.
Life is a breath
The soul expires
At departing.

Ayalal,
08.Sarenith.4711

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Porquê sentir?


Porquê sentir?
Por que razão caminhar,
Quando cada passo é espinho e fogo
Que arde com o devir?
Porquê chorar?
Porque permitir ao sonho
Que avance para s’iludir
E morrer?
Porquê viver?
Por quem? Por mim?


…Por ti.

*

Why feel?
For what reason are we walking,
When every step is thorn and fire
That burns with becoming?
Why cry?
Why allow the dream
To advance only to deceive itself
And die?
Why live?
For who? For me?


...For you.

Ayalal,
07.Sarenith.4711

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Perscrutei a palavra "Ser"


Perscrutei a palavra “Ser”.
Havia nela ditame e profecia,
Ardente e fria filosofia
Reafirmada no que é viver;
Ambíguo, o destino é pertença
Sua, e Sua é a hora de morrer.
Mas tomado o morto a vida sem a ter
Armai-vos da crença

              e ponderai na alma que se esvai.

Dedicado ao Hal
da Igreja de Pharasma de Kaer Maga

Ayalal,
10 de Arodus de 4711

domingo, 19 de novembro de 2017

Tomei notas de ti


Tomei notas de ti,
Do teu sorriso que ri
Verdades e mentiras;
Do teu gesto
Cheio da encenação
Que representas para a vida;
Do teu passo rápido
Que lento aproveita a acção
E baila enquanto palmilha
Meu coração.

Porém não há bailar
Nas notas que tomei.
As palavras são palavras vazias
Que te recordam.

*

I took notes of you,
Of your smile that laughs
Truths and lies;
Of your gesture
Full of the staging
That you represent for life;
From your fast pace
That slow takes the action
And dances
While it treads my heart.

But there is no dancing
In the notes I took.
The words are empty words
That recall you.

Ayalal,
04.Sarenith.4711

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Até conhecer o Fim


Der Krokodilstempel von Kom Ombo am Nil, Ernst Koerner (1922)


Até conhecer o Fim,
Caminharei,
Fugindo Dele;
Espreitarei
O horizonte onde s’estende
Em vigília eterna.
No dia em que me falar “vem”,
Eu irei
Em seu abraço.

*

Until I know the End,
I will walk,
Fleeing from It;
I will peek the horizon
Where It extends Itself
In eternal vigil.
The day It tells me "come",
I will go
In Its embrace.

Ayalal
02.Sarenith.4711