terça-feira, 21 de março de 2017

Escrevo, para reescrever


Escrevo, para reescrever
O olhar de quem vislumbra
O mundo,
De alma repartida
No contínuo do verso.

Ayalal,
31.Pharast.4700

Era inóspita


Era inóspita,
E a luz rasgava o olhar.
O vento soprava ameaças
Ao desconhecido,
E ela tremia, feliz,
Espreitando o sopé,
Frágil, porém firme de raiz,
A donzela da montanha,
Solitária.

Ayalal,
26.Pharast.4700

Pergunto, por vezes


Pergunto, por vezes,
Ao silêncio cadente,
Que existência é a sua.
Porém, ele não responde,
Ele não me escuta,
Nesse seu instante
De inexistência.

Ayalal,
25.Pharast.4700

domingo, 19 de março de 2017

O céu é dos que voam


O céu é dos que voam
E dos que sonham
Vir um dia a voar,
Tomando em si a imensidão
Do que é livre

(E a força d’acreditar).

Ayalal,
20.Pharast.4700

sábado, 18 de março de 2017

É d'ouro o Sol que abarca o mundo


É d’ouro o Sol que abarca o mundo,
Seu sorrido raiado do alento
Que me inspira e instiga
A ser feliz.

Ayalal,
17.Pharast.4700

Há um oceano


The British Channel Seen from the Dorsetshire Cliffs, John Brett (1831–1902)

Há um oceano
De águas calmas,
Em teu olhar,

De um azul profundo
Donde, por vezes, escuto
O marulhar

E o sussurro
Que a mim envolve
Ao mergulhar.

Ayalal,
16.Pharast.4700

terça-feira, 14 de março de 2017

Dançamos


Dançamos,
Quando a chuva é criança a brincar
Connosco, no areal;

Cantamos,
Na bênção dos deuses que vislumbram
Nosso sorrir;

Tocamos,
A ária das mãos que se dão, suaves,
Porém sem apartar;

Vivemos,
A música que descalça corre a praia
Para ser feliz.

Ayalal,
11.Pharast.4700

sexta-feira, 10 de março de 2017

Há suspiros


Há suspiros
Que drenam alento
Até a Vontade expirar.

Ayalal,
06.Pharast.4700

quinta-feira, 9 de março de 2017

Sois feitos de luz

Lantern 02, Snowfake (2012)

Sois feitos de luz,
Pequena chama que oscila
Na candeia do corpo.

Ayalal,
02.Pharast.4700

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ontem não vivi


Ontem não vivi.
Caminhei morto na sombra
Que se vergava ao dia
E fugia de si.

Ayalal,
27.Calistril.4700

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Não aceites a vontade


Não aceites a vontade
Cujo sentido trespassa a verdade
Com a falácia de ser verdadeiro.


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Há sorrisos que despontam


Há sorrisos que despontam
Das lágrimas que semeiam
Alento.

Ayalal,
22.Calistril.2700

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Prefiro morrer


Prefiro morrer
A perder a vida que desenho
Em linha tosca de carvão,
A mesma que teu pincel
Preenche e pinta de pigmentos
Que permutam no mural
Do coração.

Ayalal,
27.Calistril.4700

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eis caído o céu


Eis caído o céu, 
Quando em si o Sol chorou 
A distância que o aparta 
De seu amor. 

Toca-o a memória do luar, 
Doce e efémero, 
E o silêncio que é triste 
Melodia.

Ayalal,
25.Calistril.4700

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Não existe fim no finito


Não existe fim no finito
E o finito mente quando diz
Que em si existe um fim.
A nós mentimos sem pensar,
Ao imaginá-lo assim,
De termo constrito,
Quando é contínuo e circular,
Quando é indistinto
E quando a distinção
Ludibria o sentido,
Sendo somente ilusão
Que nos tenta enganar.

Ayalal,
20.Calistril.4700

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Troam na noite

Night Travellers at a Cross, László Mednyánszky (1880)

Troam na noite
Os espíritos dos que foram,
Mas não vão.
Retidos na recordação
E embargados
No que amaram,
Pairam
E estendem a mão
Aos que ficaram.

Ayalal,
13.Calistril.4700

Sorvo alento do sorriso

Rapture, Henry John Stock (1853–1930)

Sorvo alento do sorriso
Que se ergue da alva fresca
Para nos braços tomar
O novo dia nascente.

Ayalal,
31.Abadius.4700

Rouba da inexistência


Rouba da inexistência
A vontade de nada ser,
Para que exista nela
A tal ânsia de viver.

Rouba e guarda-a
Selada para não fugir,
Que é perene essa vontade,
A de não existir.

Que perdure o encanto,
Que a possa prender
A vontade acrescida
De poder Ser.

Ayalal,
17.Calistril.4700

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O vento chora


O vento chora a lágrima da criança
Que fugiu em seus braços,
Com a Senhora que estendeu a mão
Aos seus olhos baços.

Porém, ninguém vê ou sente,
Ninguém escuta o soluçar,
Do vento que abraça
O pequeno expirar.

Caído no frio que o toma,
O único que o quer tomar,
O vento uiva na noite
A dor do apartar.

Ayalal,
16.Calistril.4700