domingo, 30 de agosto de 2020

Quando o infinito cessar


Quando o infinito cessar
E no céu o olhar
Das estrelas se desvanecer,
Seremos quimera
Que no tempo soube marcar
A inevitabilidade de viver.

*

When the infinite ceases
And in the sky
The gaze of the stars fades,
We will be a chimera
That in time knew how to mark
The inevitability of living.

Hurad Duruvan

domingo, 23 de agosto de 2020

Persegue-me


Persegue -me, 
Pelas mais negras vielas, 
A que outrora foi semente. 
No agora presente, 
De raiz profunda, 
A culpa corre no encalço 
De minha alma moribunda. 


It pursues me, 
Through the darkest alleys, 
The one that once was seed. 
In the present of today, 
With a deep root, 
Guilt runs on the trail 
Of my dying soul.

Ayalal Duruvan
4711

domingo, 2 de agosto de 2020

Estilhaça-se o sôfrego silêncio


Estilhaça-se o sôfrego silêncio
Num grito mudo.
Urdo
Um crónico sorriso
Que, entristecido,
Se esbate na solidão.

*

The breathless silence shatters
In a silent scream.
I scheme
A chronic smile
That, overcast,
Fades into solitude.

Ayalal Duruvan
01.Lamashan.4711

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A morte dura um instante eterno


A morte dura um instante eterno
Que te afasta, passo a passo,
Pelo caminho que é incerto
E por um plano que é tão vasto.

Encontrar-te-ei nesse ermo
Que se agiganta na vastidão?
Alcançar-te-ei no deserto
E tomar-te-ei a mão?

A crença pela qual rezo
Treme, teme e vacila,
Na alma que é mar aberto,
E num coração que oscila.

Mas contra o peito aperto
A que sempre será divina:
A esperança no que não é certo
E que é certeza destemida.



Death lasts an eternal instant
That moves you away, step by step,
On the path that is uncertain,
In a plane that is so vast.

Will I find you in that wilderness
That looms large in the vastness?
Will I reach you in the desert
And take your hand?

The belief I pray for
Trembles, fears and falters,
In the soul that is open sea,
In a heart that wavers.

But against my chest I hold
What will always be divine:
Hope in what is not certain
And that is fearless certainty. 


Ayalal Duruvan,
01.Lamashan.4711

sábado, 18 de abril de 2020

Acreditas nas mentiras


Acreditas nas mentiras
Que te sussurra a ilusão?
Escuta-as, atento.
Elas estremecem no espelho
Que reflecte o mundo.
Quebra-o e trespassa-as
Com a piedade de ninguém.

*

Do you believe the lies
The illusion whispers?
Listen to them carefully.
They tremble in the mirror
That reflects your world.
Shatter it and pierce them
With no-one's mercy.


Hurad Duruvan

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Não sei o que penso saber


Não sei o que penso saber.
É incógnita e devaneio
O que aprendemos ser
Verdadeiro.

*

I don't know what I think I know.
It is unknown and a daydream
What we learnt to be
True.

Ayalal,
23.Rova.4711

domingo, 5 de abril de 2020

Tenho esta longínqua memória


Tenho esta longínqua memória
Que não cessará de existir,
De ti, uma trémula tocha
Na escuridão, a luzir.

Apagaram-te, mas serás eterna,
A alumiar meu coração,
E sentirei sempre teu embalar,
Teu abraço e o aperto de tua mão.

*

I have this distant memory
That won't cease to exist,
Of you, a trembling torch
Shining in the darkness.

They erased you, but you’ll be eternal,
Lighting my heart,
And I will always feel your lulling,
Your embrace and the grip of your hand.

Ayalal Duruvan
21.Rova.4711

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Os dedos da Vingança


Os dedos da Vingança
São longos e traiçoeiros,
Tanto que se estendem
Além do tempo
Aguardando a Esperança.

*

The fingers of Revenge
Are treacherous and long,
So much that they extend
Far beyond time
Waiting for Hope.


Ayalal Duruvan,
17.Rova4711

segunda-feira, 30 de março de 2020

Em teu olhar há uma ave


Em teu olhar há uma ave
Que voa muito além do mundo.
É doce, pura e um sonho
A espreitar ao longe.

*

In your eyes there is a bird
That flies far beyond the world.
It is sweet, pure and a dream
Peeking in the distance.

Ayalal Duruvan,
18.Rova.4711

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

There's nothing to see


There’s nothing to see, 
There’s no one, 
There’s no me. 
There’s just the ashes 
That come 
From the sacred light 
Of the Sun.

Hurad Duruvan

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Há um novo vazio que me preenche


Há um novo vazio que me preenche, 
Onde seu irmão frio habitou. 
Morno e melancólico, tem em si 
A nostalgia do que ficou 
Como recordação.

*

There’s a new emptiness that fills me,
Where its cold brother inhabited.
Warm and melancholic, it has in itself
The nostalgia of what remained
As a memory.

Hurad Duruvan

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Ansiei ser o que desconhecia


Ansiei ser o que desconhecia,
No passado que rumava
Pelo enigma da vida;
Ansiei ser tanto que não sabia,
Tão mais que me perdi,
Alheio de mim.

*

I longed to be what was unknown,
In the past that wandered
Through the riddle of life;
I longed to be so much that I didn't know,
So much more that I got lost,
Unaware of myself.

Hurad Duruvan

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

A perfeição


A perfeição
É uma impossibilidade tentada,
Um rasgo de ingenuidade e o sonho
Da mente iluminada.

*

Perfection
Is an attempted impossibility,
A ripple of naivety and the dream
Of the enlightened mind.

Hurad Duruvan

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Como um suspiro


Como um suspiro
Com o despropósito de existir,
Acendeste o que nasceu
Sem luz;
Tocaste o cerne frio
Da clausura de um coração
E despertaste
Esta alma.

*

As a sigh
With the non-purpose of existing,
You lit what was born
With no light;
You touched the cold core
From the enclosure of a heart
And you awakened
This soul.

Hurad Duruvan

domingo, 15 de dezembro de 2019

Dolorosa é a verdade


Dolorosa
É a verdade que paira
Qual ave de marfim pálido,
Frio e cru. Sábio
É aquele que com ela baila
De mão dada.


Painful
Is the truth that hovers
As a bird of pale, cold
And raw ivory. Wise
Is the one who dances with it
Hand in hand.

Hurad Duruvan

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Alone with the cold


Miranda - The Tempest, by John William Waterhouse (1916)


Alone with the cold,
Alone with the tides of time,
I whisper to the old
Deep past of mine.

It sank in the years
Beyond the edge of mortality,
Taking dreams, tears and fears
And their own reality.

Will it come back to learn
What it hasn't learnt before?
Will it be able to discern
The lost way to the shore?

The waves which bring the future
Are uncertain but they unfold
Unknown changes that can nurture
The old past I still hold.
Hurad Duruvan

domingo, 17 de novembro de 2019

É certa


É certa
A incerteza que me habita,
Tão certa quanto a melancolia
Da despedida
E a lágrima escondida
Que o olhar contém.

*

It is certain
The uncertainty that dwells in me,
As certain as the melancholy
Of farewell
And the hidden tear
The eyes hold.

Hurad Duruvan

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Corres sem alcançar


Corres sem alcançar
O que o alcance tem a dar;
Corres vendo-o partir
E a roubar de ti
Esperança e certeza
De que há beleza
No que é real.

*

You run without reaching
What reach has to give;
You run watching it leaving
And stealing from you
The hope and certainty
That there's beauty
In reality.

Hurad Duruvan

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Roubo o rio da vida


Roubo o rio da vida
E o seu deleite de correr
Para a foz do coração;
Roubo e tomo-o para mim,
Sem de mim nunca ser;
Serei somente
Ladrão.

*

I steal the river of life
And its delight
Of running to the mouth of the heart;
I steal it and take it for myself,
Without it ever being mine;
I will only be
A thief.
Hurad Duruvan