quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Porquê sentir?


Porquê sentir?
Por que razão caminhar,
Quando cada passo é espinho e fogo
Que arde com o devir?
Porquê chorar?
Porque permitir ao sonho
Que avance para s’iludir
E morrer?
Porquê viver?
Por quem? Por mim?


…Por ti.

*

Why feel?
For what reason are we walking,
When every step is thorn and fire
That burns with becoming?
Why cry?
Why allow the dream
To advance only to deceive itself
And die?
Why live?
For who? For me?


...For you.

Ayalal,
07.Sarenith.4711

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Perscrutei a palavra "Ser"


Perscrutei a palavra “Ser”.
Havia nela ditame e profecia,
Ardente e fria filosofia
Reafirmada no que é viver;
Ambíguo, o destino é pertença
Sua, e Sua é a hora de morrer.
Mas tomado o morto a vida sem a ter
Armai-vos da crença

              e ponderai na alma que se esvai.

Dedicado ao Hal
da Igreja de Pharasma de Kaer Maga

Ayalal,
10 de Arodus de 4711

domingo, 19 de novembro de 2017

Tomei notas de ti


Tomei notas de ti,
Do teu sorriso que ri
Verdades e mentiras;
Do teu gesto
Cheio da encenação
Que representas para a vida;
Do teu passo rápido
Que lento aproveita a acção
E baila enquanto palmilha
Meu coração.

Porém não há bailar
Nas notas que tomei.
As palavras são palavras vazias
Que te recordam.

*

I took notes of you,
Of your smile that laughs
Truths and lies;
Of your gesture
Full of the staging
That you represent for life;
From your fast pace
That slow takes the action
And dances
While it treads my heart.

But there is no dancing
In the notes I took.
The words are empty words
That recall you.

Ayalal,
04.Sarenith.4711

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Até conhecer o Fim


Der Krokodilstempel von Kom Ombo am Nil, Ernst Koerner (1922)


Até conhecer o Fim,
Caminharei,
Fugindo Dele;
Espreitarei
O horizonte onde s’estende
Em vigília eterna.
No dia em que me falar “vem”,
Eu irei
Em seu abraço.

*

Until I know the End,
I will walk,
Fleeing from It;
I will peek the horizon
Where It extends Itself
In eternal vigil.
The day It tells me "come",
I will go
In Its embrace.

Ayalal
02.Sarenith.4711

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Despe-te do preconceito da existência


Despe-te
Do preconceito da existência
E sê
Cada detalhe tingido
De vida.

*

Strip yourself
Of the prejudice of existence
And be
Every detail dyed
Of life.

Ayalal,
30.Desnus.4711

sábado, 14 de outubro de 2017

Escrevi em tinta de nada


Escrevi em tinta de nada
E tornei vazia
A caligrafia
Do sonho d’amanhã.

Em mim
Não irás ler almejo,
Nem mesmo o desejo
De te matar.

*

I wrote in ink of nothing
And made empty
The calligraphy
Of tomorrow's dream.

In me
You will not read craving,
Not even the hankering
To kill you.

Ayalal,
28.Desnus.4711

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Dá-me a mão


Dá-me a mão.
Dancemos sob a chuva do passado
Que fria se condensa
No coração.

*

Give me your hand.
Let's dance under the rain of the past
That coldly condenses
In the heart.

Ayalal,
20.Desnus.4711

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Ao nascer


Ao nascer há em ti
Uma caixa vazia.
Nela não guardarás a vida,
Mas o molde d’anamnesia
Do que é viver.

*

At birth there is in you
An empty box.
You will not keep life in it,
But the anamnesis mold
Of what is to live.

Ayalal,
17.Desnus.4711

sábado, 7 de outubro de 2017

Sem palavras


Sem palavras,
Ele chora
As folhas caídas
Do Outono.

*

Without words,
It weeps
The fallen autumn
Leaves.

Ayalal,
12.Desnus.4711

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

There are things we believe in


There are things we believe in,
And things we don’t believe in at all;
At the end, believing is a sin
That hurts more than the truth
Where we all fall.

*

Existe aquilo em que se crê,
E o que não se crê de todo.
No fim, a crença é pecado
Que dói mais que a verdade
Na qual tombamos.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

O que é a luz na escuridão?


O que é a luz na escuridão?
É inspiração
Que oferta seu raiar.
Quiçá nos estenda a mão,
Quiçá seja sua a intenção
De nos matar.

Ayalal,
09.Desnus.4711

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Despojo-me de mim


Despojo-me de mim.
Sou livre,
Na consciência de nada ser.

*

I deprive me of myself.
I’m free,
In the conscience of being nothing.


Ayalal,
02.Desnus.4711

domingo, 23 de julho de 2017

Recordo a tua alegria


Recordo a tua alegria
Com a dor que atenta
Contra mim e ludibria
A sanidade;

Recordo o teu sorrir,
Tão puro
E sem de si fingir,
Que me oferecia o Sol;

Recordo o toque morno
Do abraço que detinha
Mundo e sonho
Que se esvaiu.

E choro...
Choro a cada dia fugidio,
Ao qual imploro
Por ti.
Ayalal,
28.Gozran.4711

terça-feira, 18 de julho de 2017

Há, sob meus pés


Há, sob meus pés,
Um trilho trôpego que descalço
Se palmilha em busca de mim.
Desconheço o rumo que segue;
Quiçá me encontre no fim.


June in the Austrian Tyrol, John MacWhiter (1892)


Ayalal,
25.Gozran.4711

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A ausência remexe-se


A ausência remexe-se 
E rouba o fôlego do que é vivo, 
Rouba, com um sorriso 
Que rasga o peito, 
Em seu vil trejeito 
D’agrado entristecido.

*

Absence fidgets and steals
The breath of what is alive,
It steals, with a smile
That tears the breast,
In its vile grimace
Of sorrowful pleasure.

Ayalal,
20.Gozran.4711

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Há o esquecer


Há o esquecer
E o esquecido,
E o recordar
Daquilo que no tempo
É volvido.

Ayalal,
13.Gozran.4711

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Há mortos que vivem


Há mortos que vivem
No horizonte de um olhar cego,
Acomodados nas montanhas
De cumes pensados
E sopés esquecidos,
Envelhecendo e extinguindo
O Tempo na Eternidade.

Ayalal,
14.Gozran.4711

domingo, 25 de junho de 2017

Fantasma de ninguém


Hoje falei
Com o fantasma de ninguém.
De si consumia
A solidão do que não mais havia
No existir.

Porém não era sua a inexistência,
Conquanto a persistência
De a obter.
“Somos eternos”, acabei por dizer;
Não aceitou.

“Há na distância
O início que reencontra a infância
Do Mundo,
A do seu inato fecundo,
Cerne de nós”.

Ele hesitou,
“Mas não há ninguém no que sou”.
O rumorejar
Ecoou na floresta, na terra, no ar,
Infindo.

Sorri,
“Há um pouco de tudo em ti”.
Abarquei no olhar
O horizonte que havia a explorar,
Desconhecido.

Ele sorriu também
E partiu para ser alguém,
E conhecer
O que o Mundo poderia ter
De si.

Three of Wands, ©Stephanie Pui-Mun Law, 2004-2010

Ayalal,
10.Gozran.4711

sábado, 10 de junho de 2017

As voltas e revoltas do espírito


As voltas e revoltas do espírito
Evolvem com a vivência
Da lembrança e do sorriso
Que desfolham a mágoa.

Ayalal,
5.Gozran.4711