sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

És desenhado a poesia


És desenhado a poesia
Lírica, delicado
O traço que te contorna
O céu do olhar.
Viva, a rima sorri
Em ti a alegria
Que não é fingida,
E o verso arrepia-se
Ao grácil movimento
Do declamar.

Ayalal,
26.Abadius.4700

domingo, 1 de janeiro de 2017

Pinta o céu de noite fresca


Pinta o céu de noite fresca,
Deixando que a utopia
Seja pincel,
E o dourado seus salpicos
Que do inalcançável
Alcançam os que vivos
Almejam ser
A tinta de cor por saber
Que pinta o Mundo.

Ayalal,
22.Abadius.4700

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Passeiam de mão dada


Passeiam de mão dada,
Os olhares que não se cruzam…
Não existem olhos a cruzar.
Há cegueira em seu passeio,
E no toque que é permeio
Da palavra amar.

Ayalal,
18.Abadius.4700

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O Mundo escreve

Timepiece, ©2012 Stephanie Pui-Mun Law

O Mundo escreve, em tinta
Que o olhar não vê,
A História do caminhar do Tempo,
A cada passo, onde é infinda
A inspiração da vida e do fenecer.


Ayalal,
15.Abadius.4700

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O mundo


O mundo
Mimetiza o sonho de ninguém.

Porém,
É um composto de fracções
Unidas na vontade
De sonhar.

Ayalal,
15.Abadius.4700

Estranho


Estranho
Aquele que, de amável,
Doa um sorriso
D’alegria peculiar:

A que é livre e inocente,
A que, de sincera, mente
Para d'outrem receber
Um olhar que condiz
Com o que é feliz.

Estranho,
E sorrio para mim.

A Trusting Moment, Frederick Stuart Church

Ayalal,
12.Abadius.4700

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Encontrei um coração caído


Encontrei um coração caído
Na Rua de Não Ser.

O seu bater sustido
Albergava o que, escondido,
Sobrava de si.
E não havia sussurro,
Que seu espírito mudo,
Perdera-se ali.

Tomei-o na mão
E guardei-o em mim.

Transportei-o de rua em rua,
Até encontrar a sua,
Num corpo por habitar.
Porém, não mais quis partir,
Abrigara-se para não ir,
E tomara em mim um lar.

Sorri e aconcheguei-o,
Para não mais o abandonar.

Ayalal,
07.Abadius.4700

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Há na flor do campo

Spirit of Springtime, Vasily Alexandrovich Kotarbinsky

Há na flor do campo
A singela vontade, que se avulta,
De ser encanto,
Enquanto baila,
De pétalas na mão do vento,
Cintura esguia a oscilar
Ao rumor do entretanto.

Ayalal,
04.Abadius.4700

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ora ao deus que a ti não escuta


Ora ao deus que a ti não escuta,
Ora, que em teu orar,
Há do divino a força muda
De crer no acreditar.

Ayalal,
01.Abadius.4700

sábado, 26 de novembro de 2016

Esquecer


Esquecer
Para não mais lembrar
É matar
Resquícios do Ser.

Ayalal,
31.Kuthona.4699

domingo, 20 de novembro de 2016

No céu são castelo as nuvens


No céu são castelo as nuvens
Onde os deuses urdem seus desígnios.
Em cada forma, por cada tom,
Enfuna-se o fôlego dos sentidos,
E no vento que ora inspira bonança,
Ora a tempestade que é mudança,
Há a expiração da criação.
Ayalal,
26.Kuthona.4699

domingo, 13 de novembro de 2016

Vem, debruça-te à janela


Vem, debruça-te à janela
Do mundo que evolve,
E espreita o torvelinho a ecoar
Ditames de mentes soltas
Que constrangem seu pensar.

Vai ali o taciturno de olhar caído
Na calçada que corre a estrada;
A sua vai para tornar
Ao donde não saiu, e persiste
Até passar o taciturno do meditar.

Mais à frente, aguarda o que sorri
Embustes e tece intrigas
Nas agulhas céleres do congeminar,
Vira a esquina e segue a passo o trilho
Da mente que se há-de estreitar.

Agora escuta os cascos e observa
O cavaleiro que segue a rua das restrições.
É a mais estreita a apertar,
Tanto que a luz se fina num beco
Ladrão que lhe rouba o ar.

No entanto, ali vai a liberdade.
Vê como corre, pequena e ligeira!
É senhora das ruas a abarcar,
Com seus pés indecisos que pensam
Tudo o que há a imaginar.

Salta entre avenidas, roda sobre si,
Dança com o riso, na chuva do olhar,
E, se atentares, podes vê-la voar.
Voa tanto que por vezes foge
Para as ruas do não mais voltar.

Ayalal,
23. Kuthona.4699

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Diria que o acaso


Diria que o acaso
Imita o improvável, sem imitar
Vertentes que rolam o Fado
Íngreme do desejar.
Nada é vontade, tudo são
Deuses com parte do coração
Ambíguo, alguns por habitar.
Ditam-nos sua imaginação;
Em nós há a força d'imutar.

Ayalal,
4711

Antevê-se na percepção


Antevê-se na percepção
Levada ao infindo do pressentido;
Inspira-se a flecha na visão,
Recua e aponta ao coração,
Alvo do arco flectido.

Ayalal,
4711

Deténs a dita sagacidade


Deténs a dita sagacidade,
Astúcia de si armada,
Inflectidas na vontade.
Sobre o golpe da adaga,
Urde o que será então,
Kitsune d’arma em mão
E esquartejo de espada.

Ayalal,
4711

Há persistência em seu pensar


Há persistência em seu pensar.
A força é de si intento
Levado ao destino de se alcançar.

Ayalal,
4711

domingo, 6 de novembro de 2016

É de luz que se pinta seu sorriso


É de luz que se pinta
Seu sorriso,
Uno na bondade do olhar.
Ri, criança, deixa que teu riso
Instile vida, seja magia...

E que o mundo possa conquistar.

Ayalal,
4711

sábado, 5 de novembro de 2016

A distância tem em si o apartar


A distância tem em si o apartar
Do toque.
Há, contudo, no olhar
Contemplação
Que da memória faz seu lar.

Saë sandanor*

Ayalal,
10.Kuthona.4699

*Não esqueças

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Há uma estranheza no olhar


Há uma estranheza no olhar;
Na alma evolve o contido
Que não mais se contem,
E o gesto é tremido,
Quando a palavra retém
A revolta, qual vestido
De que se traja alguém
Para com o mundo dançar.

Ayalal,
16.Kuthona.4699