domingo, 4 de dezembro de 2016

Ora ao deus que a ti não escuta


Ora ao deus que a ti não escuta,
Ora, que em teu orar,
Há do divino a força muda
De crer no acreditar.

Ayalal,
01.Abadius.4700

sábado, 26 de novembro de 2016

Esquecer


Esquecer
Para não mais lembrar
É matar
Resquícios do Ser.

Ayalal,
31.Kuthona.4699

domingo, 20 de novembro de 2016

No céu são castelo as nuvens


No céu são castelo as nuvens
Onde os deuses urdem seus desígnios.
Em cada forma, por cada tom,
Enfuna-se o fôlego dos sentidos,
E no vento que ora inspira bonança,
Ora a tempestade que é mudança,
Há a expiração da criação.
Ayalal,
26.Kuthona.4699

domingo, 13 de novembro de 2016

Vem, debruça-te à janela


Vem, debruça-te à janela
Do mundo que evolve,
E espreita o torvelinho a ecoar
Ditames de mentes soltas
Que constrangem seu pensar.

Vai ali o taciturno de olhar caído
Na calçada que corre a estrada;
A sua vai para tornar
Ao donde não saiu, e persiste
Até passar o taciturno do meditar.

Mais à frente, aguarda o que sorri
Embustes e tece intrigas
Nas agulhas céleres do congeminar,
Vira a esquina e segue a passo o trilho
Da mente que se há-de estreitar.

Agora escuta os cascos e observa
O cavaleiro que segue a rua das restrições.
É a mais estreita a apertar,
Tanto que a luz se fina num beco
Ladrão que lhe rouba o ar.

No entanto, ali vai a liberdade.
Vê como corre, pequena e ligeira!
É senhora das ruas a abarcar,
Com seus pés indecisos que pensam
Tudo o que há a imaginar.

Salta entre avenidas, roda sobre si,
Dança com o riso, na chuva do olhar,
E, se atentares, podes vê-la voar.
Voa tanto que por vezes foge
Para as ruas do não mais voltar.

Ayalal,
23. Kuthona.4699

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Diria que o acaso


Diria que o acaso
Imita o improvável, sem imitar
Vertentes que rolam o Fado
Íngreme do desejar.
Nada é vontade, tudo são
Deuses com parte do coração
Ambíguo, alguns por habitar.
Ditam-nos sua imaginação;
Em nós há a força d'imutar.

Ayalal,
4711

Antevê-se na percepção


Antevê-se na percepção
Levada ao infindo do pressentido;
Inspira-se a flecha na visão,
Recua e aponta ao coração,
Alvo do arco flectido.

Ayalal,
4711

Deténs a dita sagacidade


Deténs a dita sagacidade,
Astúcia de si armada,
Inflectidas na vontade.
Sobre o golpe da adaga,
Urde o que será então,
Kitsune d’arma em mão
E esquartejo de espada.

Ayalal,
4711

Há persistência em seu pensar


Há persistência em seu pensar.
A força é de si intento
Levado ao destino de se alcançar.

Ayalal,
4711

domingo, 6 de novembro de 2016

É de luz que se pinta seu sorriso


É de luz que se pinta
Seu sorriso,
Uno na bondade do olhar.
Ri, criança, deixa que teu riso
Instile vida, seja magia...

E que o mundo possa conquistar.

Ayalal,
4711

sábado, 5 de novembro de 2016

A distância tem em si o apartar


A distância tem em si o apartar
Do toque.
Há, contudo, no olhar
Contemplação
Que da memória faz seu lar.

Saë sandanor*

Ayalal,
10.Kuthona.4699

*Não esqueças

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Há uma estranheza no olhar


Há uma estranheza no olhar;
Na alma evolve o contido
Que não mais se contem,
E o gesto é tremido,
Quando a palavra retém
A revolta, qual vestido
De que se traja alguém
Para com o mundo dançar.

Ayalal,
16.Kuthona.4699

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Por cada toque inusitado


Por cada toque inusitado
De teu olhar ao mundo,
Nasceu a senciência do inato
Sonho que, no profundo,
Volvia em ti.

Ayalal,
7.Kuthona.4699

sábado, 22 de outubro de 2016

Há, no marulhar


Há, no marulhar,
A saudade de ser chuva
A beijar o mar.

Mystic Sea, Maureen E. Kerstein
Ayalal,
1.Kuthona.4699

Não pendas da forca do pensar


Não pendas da forca do pensar
Que restringe as palavras.
Ordena à corda que desenlace do nó
A veracidade que opina muda
Na bravura de teu olhar,
E seja palavra que se desnuda
De preconceito e vergonha sua,
Aquando o ímpeto de falar.

Ayalal,
4.Kuthona.4699

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Desagua, ligeira


Desagua, ligeira,
Oh, foz que és mar
No impensar do rio.
Antes foste ribeira
Alegre, em fio d'estio,
E chuva, nuvem, vapor
Vago, em ti contido.
És sapiência de ciclo
Que corre ao sabor
De um suspiro.

Ayalal,
21.Neth.4699

sábado, 24 de setembro de 2016

Pinto o céu de palavras


Pinto o céu de palavras
Que se desnudam,
Sob o terno toque do vento.

Que se cubram nas nuvens,
Donde tomam o pudor
De se vestirem de chuva,

E derramem entre nós
A sonoridade de si,
Que escreve sem tinta

Nas ruas.

Ayalal,
30.Neth.4699

domingo, 18 de setembro de 2016

Sois Sol, mundo e coração


Sois Sol, mundo e coração
De cadência viva,
Inspiração
Que cogita a serena
Sinceridade do sorriso,
Enquanto sorri.

Ayalal,
26.Neth.4699

sábado, 17 de setembro de 2016

As tuas cordas choram a mágoa

Still Life with Violin, Bow and Sheet Music,
Nicholas Alden Brooks (1903)

As tuas cordas choram a mágoa
Daquele que desconhece o inato
De sua existência.

Ayalal,
08.Neth.4699

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Não roubais a senciência


Não roubais a senciência
Ao ente que de parco tem em si
A agrura que se avulta
No ponderar,

Nem a tomais do sábio,
Que se perdida, sua mão
É dada ao álgido ventre
Da lógica.

Ayalal,
15.Neth.4699