quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Acordar e Adormecer do Infinito

Tudo começou com um estrondo que estremeceu o Infinito, acordando-o do seu sono prolongado e aquecendo-o no que se tornaria um local repleto de vida, uma vida que pontilhava o que se chamaria Universo, um local belo e inóspito, repleto de antagonismos que floriam suaves e grosseiros.

E um desses antagonismos que desabrochou foi a espécie humana, animais bípedes de inteligência metódica, que se propagaram qual praga infestante, para lá do que deveria ser um lar, para além daquilo que diziam ser deles, mas que nem isso era. A Terra.

Passaram de terrestres a extraterrestres, esqueceram as suas origens e deixaram de ser quem eram, perdendo a alma que os definia como humanos, a integridade tricotada por uma compostura de células que se modificaram até serem mais e menos do que eram. Tornaram-se Asquerosos, seres tentaculares de espinhos dorsais e crueldade acrescida, que dominaram e dominaram até nada mais haver para dominar, que o Universo, que um dia nasceu, começou depois a regredir, murchando flores decompostas e deuses caídos.

E novamente o Infinito adormeceu, num sono vazio, assombrado por almas que se não deixaram diluir, por não serem moléculas nem átomos. Mas apenas memórias do antagonismo que existiu.

(Texto feito para o passatempo do blog BranMorrighan)

4 comentários:

Afonso Costa disse...

Está bonito, mas fez-me relembrar aquilo de que é feita a alma humana, cada vez mais cruel :/

Leto of the Crows disse...

Obrigada ^^

Penso que a alma humana não está cada vez mais cruel, sempre o foi, desde tempo imemoriais. O problema é que vão tendo mais poder e mais formas de espalhar essa crueldade...

ISHORUT disse...

Gostei do texto Leto, como sempre! :)

Maaaaasss já agora
O que é cruel? :P

Leto of the Crows disse...

Obrigada =D

Cruel é... sem sentimentos, coisa vil e retorcida O.O