quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Flor do Deserto


No horizonte era uma flor. Com passos suaves de pés descalços, Hely aproximou-se daquela gigantesca maravilha de pétalas lilases que despontava do meio do nada. Nas suas costas, duas asas azuis tremeluziam sob o Sol escaldante que atingira o zénite. O calor era imenso, porém a pele ebúrnea, incapaz de senti-lo, continuava fresca qual ribeiro dos montes. Querendo ser mais célere, a fada abandonou a locomoção do Homem e tomou para si a das aves, dos morcegos e dos dragões, subindo nos céus e avançando para a pequena maravilha que se agigantava perante o olhar. A ânsia metamorfoseou-se em choque, ao deparar-se com o longe, agora perto. As mãos de dedos pequenos e singelos tocaram na superfície metálica da outrora planta. Recolheu-os de imediato de encontro ao peito, salvando-os de uma queimadura que lhe devoraria a pele. Aquilo não era a sua flor do deserto, não possuía a vida pulsante, nem a alma de um ser natural. Os olhos grandes e expressivos encheram-se de lágrimas face à desilusão. Quem colhera todas as flores do mundo e deixara apenas o espectro da vida? Hely sabia a resposta, mas não queria admiti-la…

5 comentários:

Ana Margato disse...

TÃÃÃÃO LINDO! obrigada minha Leto! ***************

Z de Zé disse...

oO está altamente Leto. Se bem que um pouco deprimente...Deprimencias à parte, gostei bastante.

Leto of the Crows disse...

De nada, Toto-chan ^^

Obrigada, Xé! Devias escrever coisas no sermão aos salmões!

Blood Tears disse...

Quem colhe a essência para deixar apenas a sua sombra?

Belo!

Blood Kisses

Leto of the Crows disse...

Aqueles que não compreendem o que vêem...

Beijinhos ^^