quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Saber



Dizes que não sabes,
Hesitas por estranhar,
O que um dia conheci,
No relembrar do olhar.

De uma delicada ave,
O cantar do rouxinol;
De uma obscura candura,
O pintar do luar;
Da ancestral estrela diurna,
O dançar do pôr-do-sol;
De eras memoráveis.
A escrita milenar.

Prosa e poesia,
São insanos milagres
As dádivas da sabedoria,
Versáteis, hereges,
Curiosos em demasia,
Meus, teus, nossos,
Fecundos na eternidade
Do renascer a cada dia.

Sente-se na ingénua criança,
Vê-se no antigo ancião,
Da efemeridade de uma flor campestre,
À imortalidade de um deus pagão.
Em Atenas reflectidos
O saber e perigos louvados,
Em guerras épicas, vãs,
Aos credos renegados.

Encanto assombroso, dir-me-ás,
Encanto grandioso, dir-te-ei.
Vozes, cantares surreais,
Em musas, ninfas, sereias;
Mitos, lendas reais,
Que a sabedoria divina
Veneram em águas pousadas
De belas sagradas Nereidas.

Dizes então que não sabes,
Muito mais queres saber,
No relembrar do olhar,
De um sopro do Ser.

3 comentários:

Kiko disse...

Simplesmente fantástico.

;)

biazinha disse...

wou ...QUE MUSICALIDADE!
Li alto este poema e senti a intensidade do ritmo.
As lembranças sempre se entranham em nossa alma e se perpetuam a cada renascer.
Beijos.

Leto of the Crows disse...

Obrigada a ambos ^^

Mil beijos!