segunda-feira, 13 de julho de 2009

Naufrágio


Ninguém sabe e ninguém viu,
O barco afundar-se no mar alto
Que de lábios arreganhados lhe sorriu.
Ninguém soube que foi ele,
De caninos aguçados escorrendo o sangue
Do mar, que os comeu e devorou,
De papo sempre vazio,
Aquele que mastigou e cuspiu
Os destroços que à praia do mar,
Nos vagalhões que sopram corredios,
Se foram da morte aportar.

Recolheram, então, os tesouros,
O ouro que brilhava e pingava sangue,
Nosso ardor e vida árdua. Azar!
Que recolheram, levaram, venderam,
Moedas compradas ao mundo
Dado de ninguém, que ergueram,
Memórias de estátua ao profundo,
Horizonte distante – além morro por amar.
Aquele por quem o barco foi devorado,
Deglutido, escorraçado… oh! Naufragado!
Nos confins negros do mar.

10 comentários:

Gothicum disse...

...quem não naufraga? Fica bem!

Joli disse...

LETO! Agora que estás de férias, quero 5 posts novos todos os dias!! Atão??? Já me estás a falhar xDD

Gostei muito ^^

Kath disse...

Barquinho de túmulo, hmmm. Gostei muito do poema. ^^

Leto of the Crows disse...

Gothicum,

Quem não sabe navegar, não naufraga, a não ser que se deixe arrastar ^^

Joli,

Olha, olha, quero ver-te a fazer o mesmo :P


Catawina,

Não é o barquinho do túmulo, é o irmão gémeo há muito perdido nos confins do tempo! (Descobri que o túmulo era do Vasco da Gama... porque raios é que pensava que era do D. Manuel? nhec)
Bigada ^^

Twlwyth disse...

Belo Naufrágio.

Beijo

Klatuu o embuçado disse...

Mete este n'O Bar do Ossian com este quadro (The Shipwreck, Claude Joseph Vernet, 1772); eu depois ajeito o resto.

Beijinhos.
P. S. Gostei muito da narrativa...

Klatuu o embuçado disse...

P. S. Não será «Se foram da morte apArtar»?

Aqui o «oh!» deve ser maiúsculo: «Deglutido, escorraçado… Oh! Naufragado!»

Klatuu o embuçado disse...

... A ser «aportar» teria que ser: «Se foram NA morte aportar.»

Leto of the Crows disse...

Ok, já postei ^^

Era "na morte aportar", obrigada!

Klatuu o embuçado disse...

;)
Beijinhos.