sábado, 4 de julho de 2009

O Teu Mundo



Quando ergueste a cabeça da almofada,
Viste um só mundo em teu redor.
Um mundo de cores efervescentes,
Dolorido de tons árduos d’aberrantes.
E quiseste novamente adormecer.

Mas o ruído não o permitiu.
O zumbido férreo que ameaçava picar
A carne tenra da tua mente, perseguia-te.
E obrigou-te a correr, correr deitado
Para além longe do mundo pintado,
Com cores de ninguém.

Que são aberrações e quem as quer?
Quiseste tu, que a escolha não te escolheu.
Restou-te a sobra de um mundo de sonhos,
A miríade de gosto amargo que é viver
As migalhas bolorentas do ser.

Mísero subconsciente de cerne seco
Em humidade que se destila, valeta abaixo,
Corredio de vadio, rédea solta. E ele persegue-te.
É teu. É sangue e tumor lívido de terra queimada.
Cabe-te a ti refreá-la. Cabe-te a ti cultivá-la.
Que esse mundo é só teu.

(a ouvir The Wizard's Last Rhymes, Rhapsody)

5 comentários:

Kath disse...

Ai. Este faz-me cócegas.

Leto of the Crows disse...

Ai faz? A minha intenção não era essa xD

Joli disse...

Posso? A sério que posso? ---------» Está... LINDO *.*

A sério, as palavras escolhidas e a conjugação si... o poema está brutal!

É a Leto e 'mai' nada! xDD

João Manso disse...

Cabe-te a ti cultivar esse mundo teu...ou enterrar a cabeça na almofada xD
Excelente

*IzzY_MeL* disse...

muito bom!