quarta-feira, 26 de março de 2008

Equilíbrio


Vê as lágrimas que choram
Em relances de tristeza.
Reconhece-las? Recordas-te delas?
Sentes que sim e dizes que não
Num arrependimento cobarde,
Porque és parte delas;
Duas almas que numa junção
Intrinsecamente profunda,
Formam uma mais pura que o Céu,
Como o éter que vagueia por aí,
Que te corre nas veias
E flúi numa fonte divina.

Fragmentos completos
Que não consegues unir,
Uma harmonia que pensas
Não conseguir alcançar.

Mais confusão e encontras-te perdido.

Pensas e (re)voltas a pensar
Naquele pensamento que te desnorteia,
Sem saberes que as pontas
Estão perto, mas longe
De um olhar que engana,
Um olhar que faz questão
De numa cruel tortura te manter.

Situação estranha é esta,
Mas o que não é estranho?
Sentir, amar?
Sorrir, chorar?
Nada podes fazer para mudar este dilema.

É um caos em equilíbrio contigo,
Que controlas sem saber,
Numa fé em algo que não compreendes,
Uma compreensível estranheza,
Que faz parte de ti, da tua alma,
Das lágrimas que choram
Em relances de tristeza,
Ou quem sabe, talvez de alegria.

3 comentários:

Pedro Jorge disse...

um equilíbrio que desmascarou alguma incerteza nesse próprio equilíbrio, uma fonte ímpar de inovação ao referir a outra pessoa na poesia.

muito bem

Leto of the Crows disse...

Bem, não é propriamente uma inovação xD

Mas obrigada ^^

Kath disse...

Não há o "normal", e ainda bem. Os teus poemas são certamente fora do normal, felizmente. São magníficos. ^^