sexta-feira, 21 de março de 2008

Serpente


Vã serpente serpenteias por trilhos ocultos de Circe. Propagas vasto o crime com que te banqueteias nas teias que não teceste. Teias finas onde caí sem rumo a tomar. Teias tuas de vis embustes, também eles enganados.

Oh! Mas que farei eu nas tuas mandíbulas presa? Como fugirei dessa tua boca assassina que me espera?

O veneno verteste em mim qual cianeto no Nilo que é teu. Eu sou esse rio, fui eu que morri nos fortes braços de Prometeu. Tenho o seu fogo, tinha a chama da vida que gentil roubaste. Que tenho então agora, pergunto-te, ó Deusa bífida que falas palavras de bondade incandescente? Não me respondas. Sei que mentirás, pois tu própria és uma mentira. Vai-te demónio, não és o anjo caído que almejo, não és a verdade do desespero. Nada és. Vai-te serpente.

3 comentários:

Pedro Jorge disse...

Essa mania de escreveres textos pequenos para que todos leiam...

Não fujas da serpente! Elas só fazem mal a quem lhes fizer! Tanto quanto eu sei...

Muito bom. Cada vez melhor. No bom caminho.

Kath disse...

Óptimo, Leto. A Circe é uma excelente personagem mitológica, e serpentes são animais intrigantes (além de ser o nosso ano chinês, muahaha).

A imagem também é linda, de um dos meus pintores preferidos, J.W.Waterhouse.

Leto of the Crows disse...

Bem, graças a ti, Kath, já fiquei um bocadinho mais culta xD Não sabia quem era o pintor da imagem, mas considerei-a interessante ^^