quinta-feira, 19 de março de 2009

Deus do Desconhecido

Nos altos que se erguiam, espinhosos, de Sol poente e Luar crescente nas mãos, pairava o Deus do Desconhecido. O que sabia, não sabemos e o que entendia, desentedemos. Mas era tudo, esse de que nada conhecemos.

Os seus braços, sempre abertos, com o poder sustido de Atlas, amparavam o Mundo e o Universo. Porém, por vezes, oscilava, ora para diante, ora para trás, como quem hesita em cair, quem pondera e perfaz ponto a ponto um padrão novo que aos poucos se desfaz. Que não mais querem os humanos saber do Deus do Desentendido. É errado querer conhecer o não sabido, se a entrega é vã, se é desperdício e morte, o que os espera escondido.

E não escutam o chamamento. Escolhem por si só. É louvado o poder, mas ouçam o que chama por vós! Que o domínio do não sabido é perigo que espreita armado e raposa matreira de bosque encantado. Procura, mas não subestimes. Anseia, mas não descures do murmúrio que serpenteia, vale a baixo, dos picos erguidos, do fim do mundo. Sussurro cadente do desejar imponderado, veneno que os naufraga no abissal fundo gelado.

Mas paz, que não é ele o inimigo! Se estenderes as mãos, dar-te-á o Sol e a Lua e o Coração. Dar-te há o Mundo e o Universo. E, nessa altura, serás tu o Deus do Desconhecido. Que o desejo é forte, mas não pretendido, quando o tiveres contigo. Pois o conhecer é encargo divino, peso que vergará o mais forte vivo até o oculto se ocultar, até o Sol se pôr e o Luar murchar.

E quando tudo souberes, conhecerás o Mundo, e abrirás as mãos… e esse Mundo cairá.

2 comentários:

Roderick disse...

Então é melhor andar de mãos fechadas!

Joli disse...

wow, mt interessante... vais ter q m explicar melhor este texto! ahahah

beijinhooos****