sexta-feira, 6 de março de 2009

Partiu...

Conspurcou…

Quanto do sangue derramado
Fulgiu rubro de rubi,
Jóia e pertence quebrado
Quando desdito caiu,
E estilhaço estéril, se apagado,
Tornou a vida que o partiu.

Sagrado…

Nascer que o vento,
Nos braços areosos de chagas
Abertas, aos mundos de sustento,
Sussurra vida, a do sorrir.
Destrono em embalo, que tormento…
O de o ver partir.

Não amou…

Dito fugaz (ó tristeza!)
O suave seu alento,
Privou-se pronto da certeza
Somente em torsos quebrados.
Quebrou sonhos, e se delicadeza
Foi, escondeu dos vidros os estilhaços.

E eu chorei…

Não mais o cantar foi pranto
O do sorrir, pois ele partiu.
Desceu fundo, tão fundo, conquanto
Era o descer para além finito,
Perdeu-se estrela de encanto
No seu ponto indistinto.

E conspurcou o sagrado,
Caindo tão aquém do possível,
O braço cadente do Fado.
Não amou e eu chorei,
Era seu, só seu o pecado,
Onde, sentada, por ele esperei.

6 comentários:

Joli disse...

Tão lindo *.*

Gothicum disse...

"O gosto é a consciência literária da alma. "
(Joseph Joubert)


....simplesmente belo...como sempre um enorme gosto em ler o que escreves. Abraços

Ricardo Gouveia disse...

Muito bom, fico sem saber o que comentar. xD

Parabéns e continuação de óptima poesia. ^^

Adriana Elise disse...

Linda poesia.

Leto of the Crows disse...

Muito obrigada a todos ^^

Bruno Pereira disse...

muito bom :)