terça-feira, 29 de setembro de 2009

Corpo e Alma


Body and Soul, by -Sylph-

De quanta da alma rubra
Sabe o Ser nos dizer,
Se expectante se destila nula,
Vazio imberbe do saber?

Pois não sabe a conta
De em quantos fragmentos pintou
O limite do ser, a afronta
Do não saber, que se quedou,

A marca corpórea do espírito,
O ponto aberto à alma.
Cerrou-se ao corpo o desdito
Invólucro interior que o embala.

Então, acordou o dormente,
Orbes vítreos de não ver,
Pintados em cor de demente,
Rubra a mancha do ser.

Que era em sangue o traje vestido
E o trilho suave demarcado.
Este morto, aparente no vivo
Carnal, do corpo pecado.

E estirada a vida sem Ser,
De espírito morto liberto,
Ledo sabe o sossego de ver
Esse limbo de mundo incerto.

Aquele onde, por fim, floresceu,
De pétalas assim marchetadas
Em miríades de espírito meu,
As sapientes almas danadas.

4 comentários:

Kath disse...

Gosto sempre dos teus poemas. :]

p a t r í c i a * disse...

Eu também! Fantásticos! ^^

Afonso disse...

És uma poeta com todas as letras. Parabéns*

Leto of the Crows disse...

Mui agradecida aos três ^^

Beijinhos!