domingo, 30 de novembro de 2008

Absurdo!



Para e ouve. Não ouves?
Então debruça-te um pouco mais
E escutas-me a mim a murmurar.
Vozinha pequenina, sussurro.
E que fala ela?
Fala do eterno absurdo!
Ora que mais poderia ser?
O absurdo de viver,
O absurdo que é surreal.
E pergunto o que tem de mal?
Nada tem, ora esta.
Para mim o absurdo é encanto,
É salão onde bailo em festa,
Baila comigo, bailas?
Que baile toda a gente com o absurdo!
Sapateado a dentro, gargalhada fora
Baila com o compasso da demora.
Vive-o, crescer vivo
Vontades de ler o impossível.
E o impossível é absurdo!
E do que é, fala mudo.
Nós somos o absurdo
E o absurdo é belo!
Nós somos belos,
Belos absurdos.
Porque o absurdo é tudo.
E também nós somos esse tudo
O tudo que contudo
Confunde os paços de dança mudos
Com borboletas floridas!
E dizes “absurdo!”
E digo-o eu também.
A Alice também o disse
“Que grande absurdo mundo”,
Que conversa de “absurdice”!
Mas é uma conversa real
Uma conversa que não tem qualquer mal
E se lhe descobrires o fim
De tagarelice a confim
Chamo-te absurdo
E deito-te a língua de fora.

[dedicado ao meu querido amigo Ker]

2 comentários:

Kerhex disse...

Sou assim tão absurdo? =P
E sim, bailo contigo, com toda a gente e com o absurdo! Obrigado pelo poema, querida Leto.^^
Está lindo.=)
Beijinhos.

Leto of the Crows disse...

Não, não és absurdo nenhum.
Mas devias ser, ou então, eu "deito-te a língua de fora" ^^

Era só uma forma de mostrar como o mundo é belo, e o que não o é deixará de existir, pois o Mal irá aniquilá-lo! (Vou contratá-lo hehe)

Beijinhos!