domingo, 16 de novembro de 2008

Cai...


Decomposto.
Cai espírito de alma
Melíflua, penada,
Em nada.
Cai.
Não te ergas.
Rompeste o putrefacto
Roeste tendões para te livrares
Cego da cegueira da carne
E caíste.
Não te sustém o corpo,
Pois esse morreu
E está morto.
E continuas a cair.
Não encontras o fim.
Cai do infinito,
Cai nesse teu limbo.
Grita, esperneia sem pernas,
Nada contra a corrente,
Mas cai.
Não há volta, não há força
Nada há, para ti.
Só abismo caótico,
Duvidas de contorces análogos,
E mais espíritos que caem.
Caem por cair,
Caem, por não mais existir.
Mas tu existes.
Por isso cai
Não quero eu que existas.
Adeus,
E longa queda almejo,
Meu caríssimo Deus.

2 comentários:

Kath disse...

Este poema deprime-me, apesar de bonito.

Leto of the Crows disse...

Não quero que fiques deprimida! OO

(Ando a ver se cai alguma coisa do céu... mas não cai...)