terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sereia



Qual deusa de intempéries
Sopras de dentro vento teu,
Folgo insano de rebelde,
Esse doce canto que a mim impele,
A devaneios loucos de Romeu.

Bailas vinganças, minhas ditas,
À voz mansa do destino
E hesitas dardejos de esperança,
Inocente, és qualquer criança,
Em perdido desatino.

Ao que a natureza negou
Cicatrizes de mão estendeste,
Aberta de cruel desventura.
Mão que finou tortura
Simples, do nó que prendeste.

Mas que prisão é esta agora?
Sei-a corrente e presa em mim,
Claustro de misericórdia a tua.
Prevejo, visão minha nua,
Horrores que me trespassam, espadachim.

Pois espada arguta é essa,
Com qual danças, sereia.
Romeu sou eu, caído,
Quiçá, por ti perdido
Nos negros rochedos da areia.

5 comentários:

Kath disse...

Se as sereias do Ulisses tivessem sido como esta tua, não tinha tido tanto trabalho para as passar. : P

Leto of the Crows disse...

Que mal tem a minha sereia? Ela também é má! Mas não é... é mais ou menos, depende dos dias xD
Quando a Lua está cheia, ela é má; quando a Lua está assim meia esvaziada, é simpática hihi

Triskel disse...

Está sublime este blogg. Parabéns!

Gostei muito de o visitar.


Breizh da Viken

Gotik Raal disse...

Leto,

É sempre um prazer ler o que escreves, as tuas experiências de palavras e sentidos. Tem um espaço coerente, aqui.

Beijo,
Gotik Raal

Leto of the Crows disse...

Bem, nada mais posso fazer senão agradecer tão amáveis palavras ^^

Beijos!