segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Outono e Primavera


A frescura verde do dia escorrera das árvores, qual seiva que se destila em sem fim fragmentos num Outono precoce. O chilrear melodioso das aves tentava buscar essa verdura que segundo a segundo se desvanecia, no entanto, não esperava ela por eles, não se achegava aos seus cantares vivos para os acolher.

Fugia,
Cada vez mais distante,
Cada vez mais débil,
Cada vez mais esguia.

Muitas desistiram da sua aventura chilreante, de buscar tom aquele que se esvaiu, e nenhum sabia para onde. Cansaram-se e partiram, para, quem sabe, num qualquer dia regressar e averiguar, que destino inglório era aquele que sem dó se abatia, em cada folha que admiravam tão ou mais que os deuses sem nome que as regiam.

Fugiram,
Cada vez mais distantes,
Cada vez mais débeis,
Cada vez mais esguias.

Porém, persistente a saudade ficou, e muitos, muitos dias mais tarde, cada uma delas regressou, ao seu lar que as abandonara inexoravelmente. E qual foi a sua surpresa quando, no horizonte, lhes acenaram braços verdejantes e convidativos à brisa quente do entardecer! Estranho fenómeno aquele, o daquelas árvores que cantavam ramalhares doces e amenos e tão chamativos! Conheciam-nas! Tinham elas voltado à vida, ressuscitadas dos confins da terra. A vida corria novamente nelas, e tão viva! A frescura verde do dia regressara às árvores, aquela frescura verde só sua!

Regressara bela!
Cada vez mais próxima,
Cada vez mais viva,
Cada vez mais ela!

E regressaram aves minhas!
Cada vez mais próximas,
Cada vez mais vivas.
Regressaram deusas andorinhas!

2 comentários:

Gotik Raal disse...

Leto of the Crows,
Enigmático, dando lugar à surpresa - num caminho todo teu, que é como deve ser. E no fim um sorriso por este texto especial.

Abraço,
Gotik Raal

Leto of the Crows disse...

É bom saber que se fez alguém sorrir ^^

Beijinhos!