sábado, 8 de novembro de 2008

Disperso do Fado



Escuto lamento que se percute
Passo ante passo, cantando,
Qual sonho disperso entre
Daninhas ervas sem fado.

Lamento de não ver a vista
Que por horizontes acenava,
Sem folgo levada acenando,
Incansável e pequena na brisa.

Culpa destes toscos pinheiros
Que em labirintos me confundem,
Afastando do longe para o longínquo
Aquela por quem oiço e chamo.

Boiça inculta, esta, meu entrave,
Vertes cegueira ao que de mim
Em pontas de pés cansados se ergue
Num vislumbro do impossível!

Foi-se a voz que clamava o nome
Só dos deuses conhecido.
Foi-se para não mais voltar
Ao silêncio que abandonou, por fim.

Decaio só, entre ti, sentindo,
Vida natura que te embala
Em gemidos que germinam.
(Mas os sonhos nascem nesse embalar)

2 comentários:

Blood Tears disse...

Os sonhos que nascem do embalar são vistos na brisa dispersa do bailado sonoro que nos faz rodopiar.... :)

Escreves cada vez melhor e é sempre um prazer vir ler-te!

Blood Kisses

Leto of the Crows disse...

Mui agradecida por o tão amável comentário ^^

(apesar de eu achar que escrevo mal como tudo, mas pronto, isto é só o meu imenso e diminuto ego a falar mais alto xD)

Beijinhos!