segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mar Infinito



Remo e relembro ária fresca e distante,
Relembro os dias em que se encantavam os deuses.
Sorriam de alento serenos, por vezes,
Floriam vivos vindos de além-mar finito
E cantavam também comigo.

Relembro ave em chamas que se erguia
Em etérea glória, finda de eterna, fogosa.
Lágrimas suas, milagres meus perdidos.
Relembro plumas negras de vermelhas
E continuo a remar pelo mar finito.

Relembro céus de veludo, pintados a tinta e carvão,
Pincel, guache e tela, lá em mundos milenares.
Relembro utopias, vivas lendas de coração
Felino, heróico de heresia e amares,
Relembro e remo com destino à imensidão dos mares.

Relembro a graça ninfa do bailar
De maré e canto e melodia do marulhar.
Relembro prece e pedido, não do remo o manejo,
Mas descanso dito dormente,
Esse que aqui desejo.

E remo e volto a remar,
E na lembrança guardo infinita a esperança
De aquele mar um dia acabar.
Relembro o dia em que era finito,
Mas quando se tornara infinito de alcançar?

4 comentários:

Kiko disse...

Lindo, lindo, lindo ^^ Devias publicar um livro de poesia :P

Gotik Raal disse...

Ah.. Leto,

Que bem que me sabem as ausências pois se depois me aguardam os regressos. Tenho muita leitura para por em dia aqui pelos teus bosques.
Assim escolhi este "Mar" e as suas infinitas ondas, tão ritmadas; navegar é preciso, pelos sentidos novos das palavras - coisa que fazes sempre de uma forma tão especial.

Trabalha sempre (acho que o fazes com gosto) e algo me diz que o Kiko aqui em cima tem um pouco de profeta :)

Beijinhos,
Gotik

Leto of the Crows disse...

Pois... o Kiko ali em cima esquece-se que uma coisa é ter um poema bom, outra é ter 30 poemas bons, e eu não tenho 30, tenho um ou outro --'

Mas agradeço aos dois ^^

Beijinhos!

Joli disse...

Tão tão lindo ^^