sábado, 9 de maio de 2009

Castigo dos Deuses


Ajoelhou-se perante o altar que o rodeava qual cerco. Fitou-os um a um, discípulos com duas asas e orelhas pontiagudas, nariz recto e aquilino e olhar vítreo sem julgamento, tão morto quanto a pedra lisa que sentia sob e sobre si, lá no cimo, pintada a mil e uma cores de frescos jovens de antigos. Querubins contemplavam-no do seu pedestal, crianças doces de caracóis aloirados, uns sorridentes e divertidos, outros maldizentes e sisudos. E os grandes desnudos, de dedo apontado a si que ali se prostrava caído em mágoa, acusavam-no. Esses sim, falavam sem palavras e refulgiam poder, tão imensos que a qualquer um dava vontade de fugir ou se esconder. Porém, ele ali estava, de cabeça erguida, interrogante, expectante, que a eles queria ouvir rugir. Ditar punição, que o merecia, para por fim se erguer e viver por aquilo que fora castigo e dizer ao mundo que a razão dos deuses era o seu expurgo injusto. Que o único pecado por que fora punido, fora nesse dia ter nascido.

4 comentários:

Kath disse...

A última frase ficou perfeita. ^^

Leto of the Crows disse...

Deve ser a única coisa que se safa xD

Gotik Raal disse...

Leto,

Safa-se mais do que isso. Todo o sentido, a atmosfera e a forma sempre especial e translúcida da escrita.

Beijinhos,
Gotik

Joli disse...

Wow *.*

Concordo com os comments anteriores!

Tens um miminho no meu blog :p