terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Nada

Descompreendo o nada compreendido no destilar dos sonhos, deixando-o verter-se, vagueando por interstícios do vagar que só em mim disponho. Que corra livre, lentamente, que não o quero prender na insipiência do saber que nada conhece no que chama de sabedoria.

Pois o tudo é a ausência que do nada se criou, essências que se dizem do sublime a grandeza que desvalorizam. Mas o que são, então? O vazio que se condensou em mãos de deuses que se integram no incompleto, venerado pelo nada, que somos nós, no incompreensível que descompreendo por não o compreender.

Que se vá então na ida, que não volte na latência do que ainda é. Durma nos sonhos, seja belo por não o ser, pois é o nada do tudo que incompreendido nos dá vida. Seríamos o nada que somos, se este não fosse a essência do tudo, o que então também somos, imerecidos, neste universo de destilado vazio.

3 comentários:

Pedro Jorge disse...

escrever sobre nada também é arte.

bato palmas para este teu texto.

há quem diga que no nada está o tudo. todas as respostas.

Leto of the Crows disse...

É bem verdade, no nada está o tudo, pois foi a partir dele que o "tudo" se criou.

Bigadah ^^

Gouveia disse...

Está óptimo. =D
Estás de parabéns, Carina.
Felicidades para o blog, eu cá estarei para ir lendo-o. xD